Guadalupe Pardo/Reuters
Guadalupe Pardo/Reuters

Ministro peruano renuncia após revelação de que auxiliou Odebrecht em projeto

Segundo um programa da TV peruana, ministro de Minas e Energia trabalhou como assessor e consultor da pasta e foi responsável pela elaboração de um relatório sobre a necessidade de um projeto da empresa

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 21h55

LIMA - O ministro de Minas e Energia do Peru, Juan Carlos Liu, renunciou nesta segunda-feira, 10, após ter sido revelado que sua empresa prestava serviços à Odebrecht quando ele trabalhava como assessor e consultor da pasta e foi responsável pela elaboração de um relatório sobre a necessidade do projeto Gasoduto Sul.

Um consórcio liderado pela empresa brasileira em 2014 ganhou a concessão das obras do projeto, cancelado pelo governo peruano em 2017. Por essa razão, a Odebrecht solicitou uma mediação ao Centro Internacional de Resolução de Disputas de Investimentos (ICSID), do Grupo Banco Mundial, e está exigindo US$ 1,2 bilhão em reparações.

A saída de Liu foi confirmada nesta segunda-feira pelo presidente Martin Vizcarra. "Em vista das queixas que foram feitas, hoje cedo, pela manhã, comunicamos e foi tomada a decisão de aceitar a sua renúncia", declarou o chefe de governo.

Vizcarra afirmou também que as suspeitas reveladas contra o ministro no domingo no programa Panorama, exibido pela rede de televisão peruana Panamericana, merecem uma investigação para determinar o nível de responsabilidade.

Assessor do Estado e da Odebrecht 

Segundo a denúncia feita pelo programa, Liu trabalhou como assessor do Ministério de Minas e Energia entre 2010 e 2014, período em que realizou consultoria externa tanto para a pasta, por meio de sua empresa, a Conasac, quanto para a Odebrecht.

"Prestamos alguns serviços à Odebrecht em alguns momentos, mas eles eram de natureza regulatória", garantiu o ex-ministro na reportagem exibida no domingo.

No entanto, o relatório revelou que em dezembro de 2012 Liu elaborou um levantamento para definir se o projeto Gasoduto Sul era cofinanciado ou autossustentável.

O documento, intitulado "Projeto para melhorar a segurança energética do país e o desenvolvimento do Gasoduto Sul peruano", foi apresentado em janeiro de 2013 pelo então ministro do setor, Jorge Merino, ao diretor da Pro Inversión.

Merino é investigado pela equipe peruana da Lava Jato pelo crime de conluio, no contexto do escândalo de corrupção da Odebrecht no país vizinho. 

A Odebrecht no Peru afirma que assinou uma acordo com o MP e continua colaborando com as investigações./ EFE  

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