Ministro põe em dúvida eleição argentina de março

Um dos homens de confiança do presidente argentino, Adolfo Rodríguez Saá, o ministro do Trabalho, Oraldo Britos, declarou nesta quarta-feira que duvidava darealização de eleições em março. Britos deu a entender que "seos planos de nosso governo se concretizarem e a confiança dapopulação retornar... será outra a canção".Ao sentar em "el sillón de Rivadavia", como é chamadaa cadeira presidencial argentina, Rodríguez Saá havia concordadoverbalmente com os caciques do partido em não se apresentar àseleições diretas presidenciais do dia 3 de março. Mas este acordo já pode fazer parte do passado recente.Outro integrante do governo, o chefe de assessores dachefia do gabinete de ministros, Carlos Grosso, reafirmou essaintenção: "se o presidente trabalhar bem, e o povo pedir paracontinuar com ele, para que mudar de líder?".Desta forma, Rodríguez Saá também pretenderia secandidatar às eleições, aproveitando uma suposta popularidadeque poderia conseguir caso tivesse sucesso com suas medidaseconômicas. Seus assessores dizem que "El Adolfo", como ochamam em San Luis, "nunca começa nada que pelo menos não dureuma década". "El Adolfo" permaneceu no governo de suaprovíncia natal por mais de 18 anos.Operação política - Diversas lideranças peronistas de segundo escalãocomeçaram uma operação política para que Rodríguez Saá permaneçana Casa Rosada até dezembro de 2003, quando seria completado omandato inacabado de De la Rúa. Na quinta-feira, Rodríguez Saáreceberá o apoio do ex-presidente Carlos Menem, que se opõe àrealização de eleições em março.Enquanto Rodríguez Saá planeja sua permanência, oscaciques peronistas começam a buscar seus candidatos avice-presidente para as eleições de março. Os que já estão nessacorrida são o governador da província de Buenos Aires, CarlosRuckauf; o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, e ogovernador de Santa Cruz, Néstor Kirchner.Vice - A definição de um vice é fundamental na políticaargentina. Na história do país, somente candidatos muito fortespuderam prescindir de um vice estratégico. Grande parte doscandidatos está buscando um vice das cidades da Grande BuenosAires, onde está quase um terço dos eleitores do país.Esse é o caso do cordobês De la Sota, que já convidou oprefeito de La Plata, Julio Alak, para que o acompanhe na chapapresidencial. Kirchner, por seu lado, convidou o prefeito de La Matanza,Alberto Ballestrini. Ao contrário, o governador da província deBuenos Aires, Carlos Ruckauf, está procurando um vice que sejaproveniente do interior.Ruckauf teria tentado seduzir o senador Ramón Puerta, daprovíncia de Misiones, aproveitando que seu nome ficou conhecidono fim de semana, ao ocupar interinamente por 48 horas apresidência do país, abandonada por De la Rúa.Alfonsín - Quando foi candidato em 1983, Raúl Alfonsín prescindiude um vice de nome, já que sua própria presença erasuficientemente forte para vencer. Em 1989, Menem, provenienteda pequena província de La Rioja, precisou de Eduardo Duhalde,na época prefeito da hiperpovoada Lomas de Zamora. Mas em 1995,quando se apresentou para a reeleição, Menem escolheu uma figuraque na época era de pouco peso, Carlos Ruckauf, já que nãoprecisava - e nem queria - um vice poderoso.Leia o especial

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