Ministro: povo entenderá se Chávez não puder governar

O ministro da Informação da Venezuela, Ernesto Villegas, disse nesta quarta-feira que o povo da Venezuela "precisará estar preparado para compreender" se o presidente Hugo Chávez não for capaz de retomar seus deveres antes de 10 de janeiro de 2013, quando deverá tomar posse para um quarto mandato de seis anos. "Nosso povo deveria considerar isso como acontece quando temos um pai doente", disse Villegas.

AE, Agência Estado

12 de dezembro de 2012 | 19h17

Villegas falou ao lado do vice-presidente Nicolás Maduro, que pouco antes fez um longo pronunciamento em rede de rádio e televisão. Maduro disse que Chávez foi submetido a uma cirurgia muito "complexa" contra o câncer, e enfrentará um período pós-operatório "difícil" após a operação, que ocorreu na terça-feira em Havana. Foi a quarta cirurgia contra o câncer à qual Chávez, de 58 anos, foi submetido em Cuba desde o primeiro semestre de 2011, quando admitiu que sofria da doença.

Maduro deu poucos detalhes sobre as condições de saúde de Chávez após a cirurgia. Ele descreveu o procedimento como uma "cirurgia corretiva de uma lesão" localizada na pélvis, onde Chávez teve dois outros tumores malignos. Maduro descreveu a operação como uma cirurgia "complexa, difícil e delicada". Segundo ele, o procedimento foi bem-sucedido.

Se Chávez morrer ou não tiver condições de saúde para tomar posse em 10 de janeiro, a Constituição determina que nova eleição presidencial seja realizada em 30 dias. A cirurgia de ontem e o tom sombrio adotado por Maduro, durante a declaração desta quarta-feira, lançam ainda mais incertezas sobre o cenário político da Venezuela. No domingo, dia 16 de dezembro, o país terá eleições para governador em 23 dos 24 Estados, além das regiões metropolitanas de Caracas e Maracaibo.

O vice-presidente disse que o ministro de Petróleo, Rafael Ramírez, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, regressaram de Cuba durante a madrugada de hoje, mas outros representantes do governo venezuelano permaneceram em Havana para acompanhar Chávez, assim como filhos e netos do presidente. Cabello estava ao lado de Maduro e Villegas durante o pronunciamento de hoje e também parecia muito triste, com um aspecto sombrio e o rosto carregado de tensão.

No fim da noite de ontem, Maduro havia informado que Chávez iniciou o período pós-operatório em Cuba após mais uma cirurgia para o combate a um câncer.

No pronunciamento da terça-feira, Maduro disse que foi uma "operação complexa, difícil e delicada", que durou mais de seis horas, mas que foi concluída "de forma correta e com sucesso".

Trata-se da quarta vez que Chávez é operado em Cuba desde o ano passado, quando iniciou o combate ao câncer. Como aconteceu nas outras ocasiões, o governo não divulgou detalhes sobre a cirurgia.

O presidente do Equador, Rafael Correa, que foi para Cuba na segunda-feira para visitar seu aliado venezuelano, descreveu a operação como "muito delicada". No fim de semana, antes de embarcar para Cuba para a nova cirurgia, Chávez nomeou Maduro como seu "herdeiro político".

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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