Ministro promete punição de manifestantes por violência na França

País é palco de protestos contra reforma da previdência; falta combustível em milhares de postos.

BBC Brasil, BBC

20 de outubro de 2010 | 18h03

Em Lyon, policiais e manifestantes voltaram a se enfrentar

O ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, prometeu nesta terça-feira que os manifestantes que realizarem protestos violentos contra a reforma da previdência no país não ficarão impunes.

Em vários pontos do país, manifestantes entraram em confronto com a polícia durante o nono dia de protestos, causando estragos em veículos e estabelecimentos comerciais.

Também nesta terça-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, determinou a intervenção da polícia para garantir a reabertura de todos os reservatórios de combustível bloqueados durante os protestos, o que tem provocado falta do produto nos postos.

Hortefeux autorizou a intervenção de uma força especial da polícia francesa - equivalente à Swat americana - para tentar liberar os reservatórios.

'Inaceitável'

Hortefeux disse que respeita o direito ao protesto dos trabalhadores, mas ressaltou que este direito não inclui o bloqueio a outros trabalhadores ou a violência.

"Nos últimos dias testemunhamos alguns desdobramentos inaceitáveis. As tensões em torno do fornecimento de combustível foram registradas em vários distritos. Elas foram consequência dos problemas causados por grevistas", afirmou.

Hortefeux disse que foram desbloqueados nesta terça-feira três reservatórios importantes, em La Rochelle, Donges e Le Mans.

"O desbloqueio destes três depósitos foi totalmente indispensável e vai permitir a retomada das atividades normais", afirmou o ministro durante visita a Lyon, no centro-leste do país.

Por outro lado, o porto de Le Havre, no norte, foi fechado por manifestantes, impedindo o descarregamento de dez petroleiros.

De acordo com o correspondente da BBC na França Christian Fraser, em toda a França, mais de três mil postos de combustível estão sem o produto.

O temor de desabastecimento dos motoristas provocou filas nos postos e levou a um aumento de 500% na vendas.

Transportes

Funcionários do setor de transporte também continuam com seus protestos e a estatal ferroviária, SNCF, informou que um em cada três trens de alta velocidade, o TGV, teve viagens canceladas.

Manifestantes dificultaram o tráfego pelas estradas de acesso aos aeroporto Charles de Gaulle e Orly, na região de Paris, os dois maiores aeroportos do país.

Apesar dos protestos, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que não pretende recuar e que irá "até o fim" para aprovar a reforma, que considera um dos projetos mais importantes de seu mandato.

O projeto de reforma da Previdência, que entre seus pontos mais polêmicos aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos, deve começar a ser votado pelo Senado nesta quinta-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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