Ministro propõe financiar guerra com um dia de salário dos colombianos

Uma proposta do ministro da Fazenda da Colômbia, Juan Manuel Santos, para que os colombianos dêem um dia dos salários para financiarem o aumento dos gastos militares para enfrentar a guerrilha recebeu pouco apoio dos empresários e rejeição por parte de dirigentes sindicais e políticos.O ministro disse na quinta-feira em um congresso de competitividade que o país necessita de cerca de 800.000 pesos (equivalente a US$ 347 milhões) para fortalecer as forças militares - dinheiro que poderia ser obtido com uma contribuição voluntária ou obrigatória dos trabalhadores com um dia de seu salário."Para defender a democracia estamos dispostos a fazer os esforços que forem necessários", disse o presidente da Associação Nacional dos Industriais (Andi), Luis Carlos Villegas no Congresso, que se realiza no porto caribenho de Santa Marta."Não daremos um peso sequer para a guerra", disse o presidente da Confederação Geral de Trabalhadores Democráticos (CGTC) Julio Roberto Gómez. No entanto, ele se ofereceu para apoiar iniciativas "para o desenvolvimento social ou criar empregos".O senador Carlos Holguín Sardi, presidente do governante Partido Conservador, disse que a idéia é boa mas não como imposto de guerra. "Seria melhor para financiar obras sociais, de maneira que o governo possa liberar recursos nesse setores e, com isso, aumentar os gastos militares", disse.Já o candidato presidencial Alvaro Uribe Vélez, apoiado por vários setores e que lidera as intenções de voto apontadas nas pesquisas, disse que "só para os trabalhadores de alta renda" se poderia aplicar o encargo de pagar um dia de salário para financiar as forças militares. Disse que o governo deveria começar por reduzir gastos inúteis no Congresso e outros organismos do Estado e que o dinheiro economizado poderia financiar as forças militares."Esta é a proposta mais barata, mas será esta a solução?", revidou o candidato presidencial Horacio Serpa, da oposição liberal. Após questionar se esta escalada de encargos poderia salvar o país das investidas da guerrilha, dos narcotraficante e dos paramilitares, Serpa disse que "não é esta a solução" e assegurou que a prioridade é "derrotar a fome e a pobreza".A Colômbia gastou no ano passado cerca de US$ 1,4 bilhão no setor militar, mas 84,5% deste orçamento foi destinado ao pagamento do pessoal da ativa e de pensões e apenas 15,5% foi investido em armamentos, segundo um recente estudo divulgado pelo ministério da Defesa. Proporcionalmente, diz o mesmo informe, o gasto militar da Colômbia é inferior ao do Brasil, Argentina e México, apesar de estes países não estarem enfrentando conflitos armados internos.

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