Ministro russo acusa Otan sobre ampliação ao Leste

O ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov, acusou nesta quarta-feira a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de enganar a Rússia quando a organização prometeu não posicionar material militar nos países do Leste Europeu. "Durante a primeira fase da ampliação, a Otan prometeu que não posicionaria nenhuma infra-estrutura militar no território dos novos países-membros. Fomos enganados", disse Ivanov, que também é vice-premier da Rússia, em entrevista coletiva em Oslo, capital da Noruega. Em março de 2004 foi finalizada a adesão ao Tratado de Washington, quando Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia e Romênia abandonaram o antigo Pacto de Varsóvia por uma aliança militar liderada pelos EUA. "Seria hipócrita dizer que estamos entusiasmados com a aproximação da Otan a nossas fronteiras. Não entendemos porque suas infra-estruturas estão cada vez mais próximas" das fronteiras russas, disse Ivanov. Por outro lado, o ministro russo também aproveitou para elogiar o trabalho do conselho de coordenação multilateral Otan-Rússia, criado em 2002 pela declaração de Roma. "Recentemente, comemoramos o centenário da frota submarina russa. Um submarino norueguês visitou a principal base do comando do norte, em Severomorsk (no mar de Barents)", afirmou Ivanov, acrescentando que, "se alguém tivesse sugerido, há 20 anos, que algo assim poderia ser possível, teria sido enviado ao hospício". Durante entrevista, em Oslo, à rede de televisão Rússia Today, Ivanov também disse que o uso de tecnologia militar russa na construção da usina nuclear iraniana de Bushehr não tem nenhum finalidade militar. "Antes de decidir em relação às entregas de armas a um país, sempre examinamos a situação do mesmo e exportamos apenas armas defensivas", disse Ivanov, que considerou o comércio de armas com o Irã "insignificante". Além disso, o ministro russo disse à rede de televisão que a Rússia fornece apenas peças de substituição ao Irã, e minimizou a importância de um contato de venda de 29 mísseis antiaéreos de médio alcance TOR-M1, já que "só poderão ser usados defensivamente, não para atacar outras nações".

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