Ministro russo diz que Moscou e Pequim não apoiarão uso da força contra Irã

A Rússia e a China não votarão a favor do uso da força para resolver a disputa nuclear iraniana, informou o ministro do Exterior russo Sergey Lavrov nesta terça-feira. A posição dos dois países é um sinal de que as diferenças com os Estados Unidos ainda persistem.Depois de dois dias de conversas com o ministro do Exterior da China, Li Zhaoxing, Lavrov afirmou que Moscou e Pequim possuem posições idênticas sobre o programa nuclear iraniano e da Coréia do Norte: que as duas disputas exigem diplomacia e não força. Em uma referência ao Irã, Lavrov informou que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad irá comparecer a um encontro em junho em Shangai com líderes da Rússia, China e quatro outras nações da Ásia Central. Ahmadinejad comparecerá como observador e Lavrov advertiu que uma mudança no status de observador não está sob cogitação. "Não podemos isolar ou exercer pressão sobre o Irã. Longe de resolver a questão da proliferação, isto agravará a situação", argumentou o ministro russo. Em um comunicado separado, o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Liu Jianchao, também pediu esforços mais enérgicos para que as negociações recomecem. A preferência da Rússia e da China por mais negociações revela as dificuldades que as potências mundiais enfrentam para formar uma posição comum contra o Irã. Os Estados Unidos, juntamente com a França e o Reino Unido, pressionam a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que declararia o programa de enriquecimento de urânio de Teerã uma ameaça à paz mundial e estabeleceria sanções e até a ação militar caso ele não seja suspenso.A oposição de Pequim e Moscou, que possuem poder de veto do Conselho, freou as negociações para aprovação da resolução. Enquanto isso, o Conselho aguarda um relatório sobre o programa iraniano feito pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A União Européia (UE), em sua mais recente iniciativa diplomática, ofereceu à Teerã incentivos econômicos para que encerre o enriquecimento de urânio. Além da questão nuclear iraniana e norte-coreana, Lavrov e o ministro chinês Zhaoxing concordaram em coordenar suas diplomacias em relação ao Iraque, Afeganistão e os esforços para reformar as Nações Unidas.

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