Ministro russo quer tirar questão nuclear iraniana do "atoleiro"

O subsecretário do Conselho de Segurança do Irã, Ali Hosseini Tash, chegou hoje a Moscou para fazer consultas sobre a proposta do Kremlin de enriquecer o urânio iraniano em solo russo. A iniciativa é considerada o último recurso para solucionar a crise nuclear em que o país está envolvido no âmbito da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O ministro russo de Assuntos Exteriores, Serguei Lavrov, quer "tirar este problema do atoleiro antes da reunião do Conselho de Governadores da AIEA, que acontecerá no próximo dia 6".Lavrov disse que a Rússia defende "o direito do Irã de dispor do ciclo completo de combustível nuclear depois que forem solucionadas entre os analistas da AIEA as dúvidas surgidas em relação à finalidade do programa iraniano".O ministro do Exterior do Irã, Manucher Mottaki, disse hoje, em Bruxelas, que o país não tem intenção de renunciar a seu "direito soberano" de realizar pesquisas nucleares em seu território e que não existe conexão entre a moratória de enriquecimento de urânio e as negociações sobre a oferta russa.Moscou propõe que os aspectos mais sensíveis do ciclo de combustível nuclear iraniano, como o enriquecimento de urânio, sejam realizados em seu território em uma empresa mista e sob a supervisão da AIEA. Posteriormente, o urânio enriquecido seria levado ao Irã e utilizado no funcionamento dos reatores nucleares iranianos, que Teerã constrói com a ajuda da Rússia.Desta forma, o Irã não perderia sua autonomia na hora de produzir combustível nuclear e a comunidade internacional poderia ter certeza de que nenhum material nuclear iraniano seria desviado para fins militares.No entanto, Teerã insiste em que Moscou permita o acesso de seus analistas ao processo de enriquecimento de urânio e que parte do mesmo ocorra em território iraniano e reivindica que a Rússia atraia um terceiro país a este projeto conjunto, cujo objetivo é evitar as sanções e as suspeitas de proliferação de armas nucleares.

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