''Ministro saiu porque viajava demais'', diz Fidel

Líder cubano explica a primeira mudança no gabinete de Raúl e diz ter sido consultado sobre a decisão

AFP, EFE E AP, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Apesar de estar afastado do poder desde julho de 2006, foi o líder cubano Fidel Castro quem explicou, ontem, por que o ministro de Educação Luis Ignacio Gómez foi destituído na terça-feira, na primeira mudança de gabinete do novo governo da ilha. "Gómez havia perdido energia e consciência revolucionária", escreveu Fidel num artigo no jornal oficial Granma. "Nos últimos dez anos ele viajou ao exterior mais de 70 vezes. E nos três últimos anos fez uma viagem por mês, utilizando sempre o pretexto da cooperação internacional", completou. O líder cubano também criticou Gómez por reivindicar méritos que seriam coletivos. "Por esses e outros motivos, não temos mais confiança nele. Para ser ainda mais claro: nenhuma confiança", disse. A substituição do ministro pela reitora do Instituto Superior Pedagógico de Santiago de Cuba, Ana Elsa Velázquez, havia sido anunciada pela imprensa oficial cubana sem muitas explicações. Em seu artigo, Fidel fez questão de ressaltar que foi consultado sobre o caso e "apoiou plenamente" a decisão do Partido e do Conselho de Estado."O líder cubano está afastado do poder desde julho de 2006, quando teve de submeter-se a uma cirurgia de emergência no intestino, mas deixa claro que continua a opinar sobre as principais decisões políticas da ilha. "Quando tive o privilégio de ser igualmente consultado nas vésperas da eleição do Conselho de Estado, não vacilei em propor (para a Assembléia Nacional) os nomes de chefes militares de prestígio, como Leopoldo Cintras Frías e Álvaro López Miera, maduros, cheios de experiência e energia", escreveu. Em 24 de fevereiro, Fidel renunciou formalmente à presidência e foi substituído por Raúl, seu irmão, mas continua à frente do Partido Comunista.Desde que assumiu, Raúl tem alimentado as expectativas por reformas com mudanças diárias, como o fim da proibição para que os cubanos freqüentem hotéis para turistas e comprem eletrônicos como computadores e DVDs. Segundo o novo presidente , as mudanças fazem parte de um projeto para acabar com o "excesso de proibições" à população da ilha, mas Fidel tem alertado sobre os perigos de uma "volta ao capitalismo". A educação é um assunto especialmente sensível porque, apesar de ser considerada um cartão de visita da revolução, desde o ano passado intensificam-se as queixas dos cubanos sobre as condições das instituições de ensino e as perspectivas dos estudantes após a universidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.