Ministro sírio foge de hospital por medo de ser preso

O ministro de Interior sírio, Mohammed al-Shaar, deixou nesta quarta-feira o hospital onde estava internado em Beirute e voltou para casa por temores de que pudesse ser preso depois de setores da sociedade libanesa terem exigido seu julgamento por suposta participação em um movimento de repressão promovido pelo exército da Síria em Trípoli em 1986. Enquanto isso, em outro golpe para Damasco, o major-general Abdul-Aziz Jassem al-Shallal, responsável pela polícia militar síria, desertou e se uniu aos rebeldes que combatem o presidente Bashar Assad.

AE, Agência Estado

26 de dezembro de 2012 | 18h29

O ministro Al-Shaar foi ferido em um ataque suicida contra a sede do Ministério de Interior, em Damasco, no último dia 12. Hoje, antes de seu tratamento ser concluído, ele embarcou em um avião particular com destino à capital síria, disse funcionários do aeroporto internacional de Beirute.

Segundo uma fonte libanesa, autoridades sírias providenciaram a saída de Al-Shaar do Líbano depois de terem recebido informações de que seria emitido um mandado internacional de prisão contra ele. Nos últimos dias, autoridades e cidadãos libaneses vinham defendendo que o atual ministro fosse levado a julgamento pelos acontecimentos de 1986 em Trípoli, no norte do Líbano.

Al-Shallal, por sua vez, aparece num vídeo levado ao ar pela Al-Arabiya, no qual afirma que se juntou à "revolução do povo". As imagens foram divulgadas na noite de terça-feira. O general explica sua decisão ao dizer que o Exército se desviou de sua missão de proteger a nação e se tornou uma "gangue que realiza assassinatos e promove a destruição".

Dezenas de generais já desertaram desde o início da crise na Síria, em março de 2011, mas Al-Shallal é um dos mais experientes e detinha um alto posto quando decidiu deixar o governo. Em julho, Manaf Tlass, também um general sírio, foi o primeiro integrante do círculo interno de Assad a deixar de apoiar o presidente e unir-se à oposição.

Em episódios de violência divulgados nesta quarta-feira, um ataque atribuído a forças do governo em Raqqa, no nordeste sírio, provocou a morte de pelo menos 20 pessoas, inclusive oito crianças e três mulheres, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Também nesta quarta-feira, o Observatório informou que o número de mortos na guerra civil síria já passa de 45 mil. A entidade baseia as informações que divulga em relatos de médicos e ativistas contrários ao governo. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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