Ministro sul-coreano da Defesa deixa o cargo e cresce tensão no Mar Amarelo

Críticas e ameaças. Acusado de não responder com firmeza ao bombardeio norte-coreano de terça-feira, governo da Coreia do Sul anuncia aumento do contingente militar em cinco ilhas da região; Pyongyang promete novos ataques caso Seul mantenha 'provocações'

, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

 

 

 

 SEUL

O bombardeio norte-coreano à Ilha de Yeonpyeong, na terça-feira, fez ontem mais uma vítima. O ministro sul-coreano da Defesa, Kim Tae-young, renunciou após intensos protestos contra a resposta de Seul ao ataque. A demissão coincidiu com a promessa do presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, de aumentar o número de militares em Yeonpyeong.

Kim já havia sido bastante criticado pela falta de ação em março, quando a corveta sul-coreana Cheonan foi afundada pela Coreia do Norte, na mesma região - 46 marinheiros sul-coreanos morreram no ataque. Segundo fontes do governo, o presidente Lee aceitou a renúncia para melhorar o ambiente entre os militares.

Ontem, a Coreia do Norte alertou para mais bombardeios caso o Sul faça "qualquer provocação militar imprudente". "Se os provocadores sul-coreanos não voltarem à razão e cometerem outra provocação militar precipitada, nosso Exército realizará uma segunda e uma terceira séries de poderosos ataques retaliatórios sem hesitação", disse um representante do Exército norte-coreano, que não teve o nome divulgado.

A Coreia do Norte acusa o país vizinho de ter provocado o ataque. Seul reconheceu que realizava disparos de artilharia na ocasião, mas negou que qualquer peça tenha caído em território norte-coreano.

Para Pyongyang, os EUA também são responsáveis pela tensão e pelos disparos que mataram quatro sul-coreanos na terça-feira. A Coreia do Norte acuso os americanos de terem traçado uma "fronteira marítima ilegal" entre os dois países após a Guerra da Coreia (1950-53).

"O Mar da Coreia Ocidental (Mar Amarelo) tornou-se um lugar perigoso, onde o risco de confrontação e combates entre o Norte e o Sul é persistente, apenas porque os EUA traçaram unilateralmente a ilegal Linha do Limite ao Norte", reclamou o mesmo militar norte-coreano. "Portanto, os EUA não podem fugir da responsabilidade pela recente troca de tiros."

O confronto entre as duas Coreias, nos anos 50, o primeiro grande conflito armado da Guerra Fria, terminou com um armistício e sem um acordo de paz formal - o que deixa os dois países, tecnicamente, ainda em guerra. A Coreia do Norte, no entanto, nunca reconheceu a fronteira marítima traçada unilateralmente pela ONU.

O governo da Coreia do Sul anunciou ontem que aumentará seu contingente militar em Yeonpyeong e outras quatro ilhas do Mar Amarelo. "Nunca baixaremos a guarda e estamos nos preparando para a possibilidade de qualquer provocação feita pela Coreia do Norte", declarou o presidente sul-coreano.

Após o anúncio de Seul de que reforçaria a segurança no Mar Amarelo, Pyongyang rejeitou novamente uma oferta de diálogo da ONU, que pretendia diminuir a tensão na região e facilitar a comunicação entre os países vizinhos.

A China manifestou ontem preocupação com as manobras militares conjuntas de EUA e Coreia do Sul no Mar Amarelo. O exercício, que começa no domingo, terá a participação do porta-aviões nuclear USS George Washington e, segundo o Pentágono, estava programado antes do ataque de terça-feira. "A China se opõe a qualquer ação que mine a paz e a estabilidade na região e expressa sua preocupação com essas manobras", declarou o porta-voz da chancelaria chinesa, Hong Lei. / AP, REUTERS e NYT

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