Ministro tailandês cancela viagem ao Camboja para negociar cessar-fogo

Porta-voz do exército tailandês Sansern Kaewkamnerd disse que 'participaremos das conversas sob a condição de que deixem de disparar durante alguns dias. Informamos ao Camboja claramente desta condição'

Efe,

27 de abril de 2011 | 04h40

Bangcoc - O ministro da Defesa tailandês, Pravit Wongsuwan, cancelou sua viagem ao Camboja prevista para esta quarta-feira para negociar um cessar-fogo na fronteira, onde pelo menos 13 soldados morreram desde a última sexta, informaram fontes militares.

 

"Ontem à noite decidimos cancelar a viagem do general Pravit a Phnom Penh, prevista para hoje, depois que a imprensa cambojana indicou que a Tailândia aprovou às negociações após admitir sua derrota", disse Sansern Kaewkamnerd, porta-voz do exército tailandês.

 

"Participaremos das conversas sob a condição de que deixem de disparar durante alguns dias. Informamos ao Camboja claramente desta condição", acrescentou Kaewkumnerd.

 

Os combates recomeçaram na noite de terça-feira e continuavam na manhã desta quarta em torno dos templos de Ta Muen e Ta Kwai, segundo disseram hoje as autoridades do Camboja.

 

O porta-voz do Ministério da Defesa cambojano informou através de um comunicado que a Tailândia bombardeou durante toda a noite as posições cambojanas com intenso fogo de artilharia e que desde o amanhecer continuavam os enfrentamentos entre tropas de infantaria.

 

Desde a sexta-feira, seis soldados tailandeses e sete cambojanos morreram nos enfrentamentos, que também levaram à evacuação de 30 mil tailandeses e 22 mil cambojanos, segundo dados oficiais difíceis de contrastar porque as autoridades dos dois países mantêm um tom triunfalista ou vitimista.

 

Os combates começaram em torno dos templos Ta Muen e Ta Kwai, construídos durante o antigo Império Khmer e situados na fronteira entre o nordeste da Tailândia e o norte do Camboja.

 

Ontem, os enfrentamentos se deslocaram 100 quilômetros ao leste da fronteira, onde se encontra outro templo khmer, Preah Vihear, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco.

 

Nenhum das chamadas à calma e ao diálogo da ONU, da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e dos Estados Unidos conseguiram deter a escalada da tensão.

 

Tailândia insiste em realizar conversas bilaterais com o Camboja, que prefere a mediação internacional, e rejeita a presença de observadores indonésios na fronteira - apesar de ter aceitado isso em 22 de fevereiro -, enquanto os soldados cambojanos não se retirarem das áreas em disputa.

 

As fronteiras entre os países, fortemente minada, nunca estiveram claramente delimitadas desde que a França abandonou suas colônias no Sudeste Asiático após a Segunda Guerra Mundial.

 

Esta disputa ganhou força em 2008, quando Preah Vihear foi declarado Patrimônio da Humanidade e a Unesco o inscreveu dentro do território cambojano.

Neste caso, a Tailândia não reivindica o templo, mas uma zona de 4,6 quilômetros quadrados adjacente.

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