Ministro turco da economia renuncia para se candidatar

O ministro de Economia da Turquia, Kemal Dervis, arquiteto da ajuda de US$ 16 bilhões concedida ao país pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), renunciou neste sábado para candidatar-se nas eleições de novembro e formar um governo pró-europeu que impeça a vitória de algum partido islâmico. O trabalho de Dervis foi crucial para assegurar o apoio do FMI em forma de créditos à medida em que a Turquia tenta recuperar-se de sua pior recessão econômica desde a Segunda Guerra Mundial. A Turquia é um dos maiores devedores do Fundo. Para substituir Dervis, o primeiro-ministro Bulent Ecevit escolheu o parlamentar Masum Turker, do Partido da Esquerda Democrática. A nomeação foi enviada em seguida ao presidente Ahmet Necdet Sezer para sua aprovação. "Turker manterá o programa econômico com o maior cuidado e se concentrará nas medidas para melhorar a produção. A renúncia de Dervis não causará problemas porque o programa não está baseado nas pessoas", disse Ecevit durante uma entrevista coletiva conjunta com Turker. "Todos os aspectos do programa econômico serão mantidos", disse Turker. Políticas que ele classifica como populistas, tais como a abertura de créditos baratos, "não serão permitidas antes das eleições". Dervis, destacado por seus esforços para salvar a economia do país, é um dos mais populares dirigentes turcos, assim como um dos que geram mais confiança. Os liberais deste país de maioria muçulmana, que no entanto é secular, o vêem como uma esperança para impedir a chegada ao poder do dirigente pró-islâmico Tayyip Erdogan, do Partido de Justiça e Desenvolvimento. O secular Exército turco obrigou um governo islâmico a deixar o poder em 1997 e a candidatura de Erdogan é vista como uma ameaça ao regime secular, além de preocupar os mercados.

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