Ministro venezuelano acusa EUA de violar Convenção de Viena

O ministro do Interior da Venezuela, Jesse Chacón, acusou, nesta sexta-feira, 25, a embaixada dos Estados Unidos de "violar a Convenção de Viena", ao introduzir ilegalmente no país uma série de móveis e utensílios, entre eles possível material bélico não identificado.Chacón respondeu assim à embaixada dos Estados Unidos em Caracas, que disse que o Governo venezuelano "violou a Convenção de Viena" ao reter na madrugada de quarta-feira uma carga diplomática dessa representação na alfândega do Aeroporto Internacional de Maiquetía, nas proximidades da capital venezuelana."A Convenção de Viena foi violada flagrantemente (...). A embaixada dos EUA está desrespeitando-a (...). Introduziram armamento sem o controle da DARFA (Direção de Armamento da Força Aérea Nacional) e contrabandearam 16" caixas em nome de um funcionário da representação diplomática, declarou Chacón.Em uma longa entrevista coletiva, o ministro disse que, segundo o estabelecido na Convenção de Viena, dos "20 fardos" desembarcados por um avião americano na quarta-feira em Maiquetía, "16 não cabiam no conceito de carga diplomática", por isso deveriam ter passado pela alfândega.O ministro reiterou a versão da Chancelaria de que a embaixada dos EUA só declarou ao Governo "quatro fardos, com roupa, móveis e brinquedos", e não os outros 16, por isso estes últimos deveriam ter entrado no país "como importação comum e não como carga diplomática".Chacón destacou como "muito grave" o fato de peças militares pedidas pela Venezuela aos EUA terem entrado no país sem passar pelo controle da DARFA e se encontrarem armazenadas na sede da embaixada americana em Caracas.A Força Aérea Nacional "acertou" com os EUA o fornecimento de "propulsores de assentos para aviões Bronco", mas o avião que aterrissou quarta-feira em Maiquetía transportava ainda "alicates de corte, dispositivos de cartucho e pavios para detonadores", disse Chacón com base em um comunicado oficial americano.Ao destacar "irregularidades" como a não entrega das peças a um oficial venezuelano designado para recebê-las, Chacón disse que seu Governo está "preocupado" porque desconhece "o que mais veio" junto com o material militar, que não foi inspecionado porque "saiu pela porta de atrás" do aeroporto."A esta altura, é impossível determinar o que veio nas caixas (...) . O que estava já está na embaixada. Tomara que não seja algo para atentar contra a vida de um país", declarou Chacón.O ministro acrescentou que apresentará um relatório sobre o assunto à chancelaria, que "tem em suas mãos a solução para o incidente diplomático".

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