Ministros anunciam 'nova era' na relação Índia-Paquistão

Os chanceleres da Índia e do Paquistão saudaram nesta quarta-feira uma "nova era" nas relações entre os dois vizinhos rivais, e concordaram em combater o terrorismo e estimular o comércio e as viagens como forma de reduzir a tensão entre as duas potências nucleares da região mais perigosa do mundo.

C.J. KUNCHERIA E PAUL DE BENDERN, REUTERS

27 de julho de 2011 | 10h41

As discussões entre o indiano S.M. Krishna e a paquistanesa Hina Rabbani Khar foram surpreendentemente positivas, mas analistas alertaram contra o excesso de otimismo até que os dois países não resolvam sua disputa pela região da Caxemira e eliminem a militância transnacional.

"Esta é de fato uma nova era de cooperação bilateral entre os dois países", disse Khar, primeira mulher e mais jovem chanceler na história do Paquistão, numa entrevista coletiva ao lado de Krishna, após duas horas e meia de conversa.

Paquistão e Índia já travaram três guerras desde sua independência, em 1947, e a paz nessa fronteira é crucial nos esforços dos EUA para estabilizar o Afeganistão e retirar tropas de lá, sem criar ambiente para um conflito indireto entre Nova Délhi e Islamabad.

As expectativas de uma solução rápida para o conflito indo-paquistanês são modestas, já que nenhum dos dois governos deu passos significativos para normalizar as relações -- retirando tropas da fronteira, por exemplo.

Mas o fato de os dois países continuarem dialogando e dando pequenos passos, como nas medidas para melhorar a vida da população da Caxemira, mostra que nem Índia nem Paquistão querem a retomada do conflito armado.

"O fato de não haver um descarrilamento é um augúrio positivo", disse Uday Bhaskar, diretor da Fundação Nacional Marítima, entidade de estudos estratégicos em Nova Délhi.

Hasan Askari Rizvi, especialista paquistanês em relações internacionais, disse que há anos os dois países vêm evitando o confronto a respeito das questões mais polêmicas, como o terrorismo e a Caxemira, e que por isso conseguiram concluir o diálogo com um tom positivo.

"Eles não entraram em um terreno minado. Ficaram de fora e fizeram uma boa declaração", disse Rizvi.

Índia e Paquistão retomaram em fevereiro um processo de paz formal, que havia sido abandonado depois do atentado de militantes islâmicos do Paquistão contra a cidade indiana de Mumbai, em 2008, que deixou 166 mortos.

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