Parbul TV/Handout via Reuters
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Pressionada por demissões de ministros, May promete ir até o fim para aprovar Brexit

Primeira-ministra britânica disse ao Parlamento que cabe aos deputados escolher se saída da União Europeia será com acordo ou não; pouco antes, Dominic Raab, responsável pelas negociações com Bruxelas, e outros 3 membros do Executivo renunciaram

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2018 | 09h34
Atualizado 15 de novembro de 2018 | 17h43

LONDRES - O governo da primeira-ministra britânica Theresa May entrou em uma grave crise política nesta quinta-feira, 15,  com a demissão de dois dos principais membros de seu gabinete e outros dois secretários que não concordam com a aprovação do acordo prévio para a retirada do Reino Unido da União Europeia. Entre eles estão o negociador do Brexit, Dominic Raab e e a secretária do Trabalho, Esther McVey. Havia rumores de que a secretária do Meio Ambiente, Michael Gove, também pudesse deixar o cargo.

Após apresentar o plano à Câmara dos Comuns pela manhã, May rejeitou à tarde que pretenda deixar o cargo e deu sinais de que pretende enfrentar uma moção de desconfiança de sua legenda. Alas mais eurocéticas do Partido Conservador articulavam ontem a aprovação do pedido. A oposição, composta pelo Partido Trabalhista, o Partido Nacional Escocês e o Partido Liberal-Democrata, voltou a dar sinais que não pretende aprovar o acordo no Parlamento. 

A demissão de Raab não era esperada e representou um golpe para a autoridade de May. Ele assumiu o cargo em julho e foi responsável por finalizar as negociações do acordo com a União Europeia. Em sua carta de renúncia, Raab diz que não está de acordo com o pacto em virtude da solução encontrada para a fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte.  Também deixaram o cargo o secretário para Irlanda do Norte, Shailesh Vara, e a subsecretária para o Brexit, Suella Braverman, ambos considerados ministros juniores do gabinete.

May garantiu no fim da tarde que pretende prosseguir no cargo e levar o acordo à votação na Câmara dos Comuns. “Liderança é tomar as decisões certas, não as fáceis”, disse ela. “Vou até o final com isso? Sim.”

É necessário o apoio de 48 deputados do Partido Conservador para a que a moção de desconfiança vá a votação e o respaldo de 158 dos 315 parlamentares da legenda para que May deixe o cargo. A ala eurocética dos Tories tem, a princípio, o número para convocar a votação, mas não o suficiente para aprová-la. 

O DUP, partido unionista da Irlanda do Norte que governa com os conservadores e cujo apoio é essencial para aprovar o pacto, informou que deve esperar o desenvolvimento da crise política. “Queremos um líder conservador que consiga concluir o Brexit”, disse o líder da legenda, Nigel Dodds.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, disse que o acordo proposto por May é “um salto no escuro”. “Acredito que o Parlamento não deve aceitar esse acordo”, afirmou. Ian Blackford, do Partido Nacionalista Escocês, declarou que a primeira-ministra “tenta vender um acordo que já nasceu morto”. Os liberal-democratas defenderam a realização de um segundo referendo. 

Uma pesquisa divulgada pelo canal de TV Sky News ontem indica que, agora, 54% dos britânicos preferem continuar na União Europeia. Apenas 14% apoiam o plano de May e 32% querem deixar o bloco de qualquer maneira. No plebiscito de 2016, 52% da população votou por deixar o bloco.

May, no entanto, rechaça uma nova votação. “Estamos entregando o que foi pedido pelos eleitores à época do referendo”, afirmou.

Em Bruxelas, fontes da União Europeia reconheceram que não há um “plano B” caso May deixe o poder. “Teremos um problema. O Conselho Europeu não pode votar o acordo se o Parlamento não o ratificar”, disse uma fonte. “Seria um cenário caótico, mas qualquer cenário é possível a esta altura.” / NYT

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