AFP PHOTO / PEDRO PARDO
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Ministros da OEA falham em chegar a um acordo sobre crise na Venezuela e suspendem reunião

Eram necessários 23 votos para aprovar um comunicado conjunto sobre a situação no país, mas apenas 20 Estados se mostraram a favor

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2017 | 11h25

CANCÚN, MÉXICO - Ministros das Relações Exteriores de países da Organização dos Estados Americanos (OEA) reunidos na segunda-feira 19 não conseguiram chegar a um acordo sobre uma resolução crítica para a crise na Venezuela, que voltou a testemunhar cenas de violência em protestos na capital Caracas em meio ao impasse nas discussões realizadas no México. A Assembleia-Geral da OEA começa nesta terça-feira, 20, em Cancún.

Os ministros da organização que se reuniram em solo mexicano já haviam fracassado nas negociações em maio, quando não conseguiram formular um comunicado consensual a respeito da crise política e econômica que abala o país.

O chanceler da Guatemala, Carlos Morales, que presidiu a reunião, suspendeu uma sessão para delinear um comunicado conjunto sobre a Venezuela e disse que os ministros irão retomar as discussões em uma data a ser definida.

"Não quero mais que nosso hemisfério continue a se desmantelar", disse Morales. "Precisamos procurar soluções, continuar o diálogo, e a única maneira de continuar este diálogo é manter esta sessão aberta sem uma data determinada.”

México, EUA e outros países têm feito lobby junto a países-membros da OEA para que adotem uma resolução amena sobre a Venezuela depois de perceberem a resistência dos aliados da nação governada por Nicolás Maduro.

Na votação, 20 Estados se mostraram a favor de um esboço, mas eram necessários 23 votos para aprovar o comunicado. Oito países se abstiveram e cinco rejeitaram o esboço. Caracas disse que irá sair da OEA e não votou. "Alguns Estados não estavam preparados para assinar um comunicado de que há problemas políticos na Venezuela", disse o chanceler da Guiana, Carl Greenidge.

O México e o Peru, juntamente com os EUA, lideraram a iniciativa por uma resolução que defenda a democracia representativa na Venezuela, onde Maduro é acusado de levar o país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) rumo a uma ditadura ao adiar eleições, prender ativistas da oposição e pressionar por uma reforma da constituição.

Na segunda-feira, em Caracas, ativistas opositores enfrentaram as forças de segurança em uma das maiores manifestações das últimas semanas depois de mais de dois meses de confrontos quase diários. "A Venezuela precisa de um canal internacional humanitário que forneça remédios e alimento à população venezuelana", disse o secretário-geral da OEA, Luis Almagro.

Comemoração

A chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, comemorou o que qualificou como um dia de "vitória" na OEA. "Foi uma jornada na qual a diplomacia da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) se impôs", disse a ministra das Relações Exteriores venezuelana à emissora estatal VTV.

"Aos EUA da América voltamos a repetir: não podem, nem poderão, nunca puderam com a dignidade do povo da Venezuela", acrescentou. Ela assegurou ainda que a Venezuela continuará "minuto a minuto, defendendo os princípios essenciais" que, em sua opinião, devem reger a comunidade de nações americanas.

Delcy ainda acusou Almagro de ser "artífice da violência" no país, em conjunto com um "grupo de governos" que, segundo afirmou, "encorajam os focos violentos" na Venezuela. "Sobre a consciência destes governos, que de dentro da Organização dos Estados Americanos pretendem a intervenção e a tutela da Venezuela, pesa cada jovem assassinado pelos protestos apátridas e violentos da oposição", afirmou a chanceler. / REUTERS, AFP e EFE

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