Ministros da Otan discutem armas químicas na Síria

Informações de que a França confirmou o uso de gás sarin na Síria deu início a discussões às margens da reunião dos ministros de Defesa dos países que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Bruxelas, mas a aliança ainda se recusa a ter um plano de contingência para operações no país.

Agência Estado

05 de junho de 2013 | 09h40

Os países da Otan não querem entrar de forma coletiva numa longa guerra civil. Em vez disso, as nações estão tomando decisões individuais sobre como ajudar os rebeldes que tentam derrubar o regime do presidente Bashar Assad.

Mas embora o anúncio da França sobre a obtenção de provas do uso de armas químicas não seja o principal foco das discussões, o tema tem sido discutido durante reuniões entre os ministros, segundo um funcionário do governo norte-americano.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, reuniu-se com os ministros britânico e canadense na noite de terça-feira, quando a questão síria foi discutida, segundo uma fonte do governo norte-americano, que falou em condição de anonimato. Segundo a fonte, os ministros decidiram continuar monitorando a situação, mas ainda não decidiram a respeito de qualquer ação específica.

Autoridades da Otan afirmam que, embora estejam preocupados com a situação na Síria, praticamente não existe a possibilidade de a aliança se envolver no confronto.

"Recebemos ordens para não fazer planos neste nível", declarou o general Philip Breedlove, da Força Aérea dos Estados Unidos e principal comandante da Otan no início da reunião, que terá duração de dois dias. Ele disse também que a aliança já agiu para defender a Turquia ao instalar baterias de mísseis Patriot no território turco.

"Já nos certificamos que estamos bem posicionados para executar a defesa de um aliado, mas não faremos planos além desse ponto", disse Breedlove, até que receba ordens formais do órgão diretivo da Otan, o Conselho do Atlântico Norte.

Na terça-feira, o ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que testes realizados por um laboratório francês confirmaram o uso de gás sarin em várias ocasiões e pelo menos uma vez pelas forças do governo sírio e seus aliados.

Nesta quarta-feira, foi a vez do Reino Unido fazer a afirmação, dizendo que amostras biológicas colhidas na Síria deram positivo para o gás sarin e que há cada vez mais informações indicando que o regime usou armas químicas. "O material coletado em território sírio deu positivo para o sarin", disse um porta-voz do governo.

"Há uma crescente quantidade de informações, limitadas mas persuasivas, indicando que o regime usou e continua usando armas químicas, dentre elas o sarin."

"O espaço para dúvidas continua a diminuir e isso é extremamente preocupante. O uso de armas químicas é um crime de guerra. Assad deve permitir o acesso imediato e irrestrito de um grupo de investigadores da ONU." Fontes: Associated Press e Dow Jones.

Mais conteúdo sobre:
SíriaOtan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.