Ministros da Otan redefinem rumos da aliança

Os ministros de Relações Exteriores da Otan tentaram demonstrar um sentimento de união e deixar para trás as divisões em torno da guerra contra Saddam Hussein, anunciando planos de ampliar o alcance da aliança ao Iraque, Afeganistão e talvez a outras áreas do Oriente Médio. Alguns ministros disseram que as forças da Otan poderiam participar do processo de paz no Oriente Médio, se o plano impulsionado pelo presidente George W. Bush conseguir pôr fim à violência entre Israel e palestinos. "A Otan não deve limitar-se a esta fórmula", disse Lord Robertson, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Embora Robertson e altos funcionários do governo americano tenham insistido em dizer que não há planos concretos para que a Otan intervenha na área, o fato de seus ministros tratarem da questão representa uma mudança fundamental na aliança, que nos últimos meses vem tentando atuar além de seu âmbito na Europa e América do Norte. "Não vamos ser uma polícia mundial, mas também não vamos ser uma polícia européia. Temos de ir até onde se encontram as ameaças", disse Robertson, em sua entrevista à imprensa. Na véspera do encontro, os governos aliados deram luz verde aos planos de ajudar a Polônia a formar uma força multinacional de 7.000 homens, que seria destacada, em agosto, para o centro do Iraque. A Otan também fornecerá serviços de espionagem, comunicações, transporte e outros tipos de ajuda logística para a Polônia, no que será a primeira participação direta da aliança militar no Iraque desde a guerra liderada pelos EUA, que provocou grandes divisões na aliança.

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