Ministros da UE defendem posições duras contra Egito

As relações da União Europeia com o Egito devem ser modificadas em resposta a recente repressão do governo interno contra manifestantes no país, segundo ministros de Relações Exteriores da Alemanha, Suécia e Lituânia. Por outro lado, a autoridade do Reino Unido defende a manutenção da ajuda ao Egito, com o objetivo de dar apoio a "maioria" do povo do país.

AE, Agência Estado

21 de agosto de 2013 | 09h17

Segundo o ministro sueco Carl Bildt, o bloco deve cortar parte da ajuda dada ao Egito e proibir as exportações de armas para o país norte-africano. "Acho que é muito difícil entender como o dinheiro dos contribuintes suecos deve ser direcionado para apoiar pessoas responsáveis pelos massacres que temos visto".

Os ministros da UE estão reunidos em Bruxelas nesta quarta-feira para discutir a situação no Egito e para começar o que os líderes do bloco chamaram de uma ampla revisão dos laços com o país.

Bildt disse que "gostaria" de ser capaz de continuar a dar ajuda ao desenvolvimento bilateral com o país, ressaltando que a UE precisa deixar "claro que a responsabilidade principal recai sobre as forças do regime."

Já Linas Linkevicius, ministro da Lituânia, ressaltou que governo interino do Egito não ouviu os pedidos europeus pelo fim da violência e, por isso, é necessário impor sanções. "Chegou a hora de tomar medidas adicionais", disse ele a caminho da reunião de chanceleres da UE.

Embora a Lituânia não tenha o mesmo peso na UE como a França, a Alemanha ou o Reino Unido, o país está em uma posição para dirigir as negociações, uma vez que atualmente detém a presidência rotativa do bloco. Linkevicius disse que a Lituânia acredita que suspender a exportação de armas para o Egito é um "deve a ser feito".

A posição a favor de uma proibição também foi defendida pelo ministro de Relações Exteriores da Holanda, Frans Timmermans. "Não seria sensato fornecer armas ao Exército egípcio e às forças de segurança nesta situação", disse.

Ainda que um embargo de armas completo não seja necessário, "entregar armas nesta semana, na próxima semana, talvez no curto prazo, não seria sábio."

O ministros alemão Guido Westerwelle não foi tão duro quanto as autoridades da Lituânia, Suécia e Holanda, contudo ele disse que as relações devem ser modificadas.

"É importante que nós, europeus, enviemos um sinal comum e forte para acabar com a violência", afirmou Guido Westerwelle. Ainda assim, "seria errado decidir tudo hoje", disse ele. Westerwelle ressaltou que os governos da UE devem observar novos desenvolvimentos no Egito antes de decidir sobre quaisquer sanções econômicas. "Temos interesse que o Egito não caia em instabilidade completa", disse ele.

Em novembro, a UE ofereceu até 5 bilhões de euros (US$ 6,69 bilhões) em empréstimos e subsídios para a administração do então presidente Mohammed Morsi. Contudo, grande parte da assistência estava ligada a demandas de reforma econômica e política. A UE não deu nenhum montante diretamente para o governo do Egito até agora neste ano, de acordo com números oficiais, mas continua apoiando projetos sociais e de infraestrutura e grupos da sociedade civil.

Alguns Estados-membros já suspenderam as licenças para a exportação de armas e equipamentos que podem ser usados para repressão aos protestos. Outros, como a Dinamarca, reduziram a ajuda bilateral. O Reino Unido também reduziu a cooperação militar e de segurança.

Diferente das outras autoridades, o ministro britânico William Hague defendeu que a União Europeia mantenha a ajuda fluindo para a "maioria" dos egípcios, ao mesmo tempo em que responde a atos de violência por parte das autoridades e manifestantes antigovernamentais.

"Temos que manter a fé na maioria das pessoas do Egito que querem um país estável e democrático e próspero para si e isso significa que não devemos fazer nada que os prejudique ou reduzir o apoio".

Hague disse que UE deve "deixar a porta aberta" para o diálogo entre as diversas partes. Ele condenou o que chamou de "atos desproporcionais das forças de segurança no Egito", mas também atacou "atos terríveis de violência que têm sido conduzidos por aqueles que se opõem às autoridades." Fonte: Dow Jones Newswires.

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