AP/Martin Meissner
AP/Martin Meissner

Ministros da União Europeia pedem mais controle nas fronteiras após ataques na Bélgica

Dois dias após atentados contra estação de metrô e aeroporto de Bruxelas, reunião teve como tema o combate a terroristas ligados ao Estado Islâmico 

Andrei Netto, enviado especial / Bruxelas, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2016 | 21h20

BRUXELAS - Dois dias depois dos atentados que chocaram a Bélgica, ministros da Justiça e do Interior da União Europeia se reuniram já projetando medida para reforçar o controle de fronteiras e o combate aos terroristas ligados ao Estado Islâmico (EI). A reunião foi confusa porque, pressionados pelas acusações de falhas na segurança e na prevenção dos ataques, os ministros do Interior, Jan Jambon, e da Justiça, Koen Geens, pediram demissão ao primeiro-ministro Charles Michel.

A reunião extraordinária de ministros de toda a Europa não resultou no anúncio de novas medidas, mas na aceleração de decisões que já haviam sido tomadas após os atentados de 13 de novembro, em Paris. 

Entre as ações estão a modificação do Código de Fronteiras previsto no Tratado de Schengen, que estabelece a área de livre circulação de pessoas.

A reunião dos ministros, entretanto, quase foi perturbada porque a Bélgica viveu nesta quinta-feira, 24, o princípio de uma crise política – em meio a uma cerimônia de homenagem às vítimas da terça-feira. A renúncia aos cargos dos ministros fez pairar sobre o governo o espectro de um abalo política mais grave que poderia levar ao rompimento da coalizão governamental e à queda do premiê. O constrangimento foi causado pela revelação na quarta-feira de que a Bélgica havia sido advertida pela Turquia sobre a periculosidade de Ibrahim El Bakraoui, um dos terroristas suicidas da terça-feira. 

Em uma declaração inusual, o presidente da Turquia, Tayyip Recep Erdogan, acusou Bruxelas de ter negligenciado os alertas emitidos após a expulsão de El Bakraoui do território turco em 2015, que indicavam que se trataria de um potencial combatente estrangeiro nas hostes do Estado Islâmico.

As declarações vindas de Ancara acentuaram as crescentes críticas à organização das forças de ordem da Bélgica, que já vinham sob forte pressão desde a semana passada, quando Salah Abdeslam foi preso no distrito em que sempre viveu, em Molenbeek, a menos de dois quilômetros do centro da cidade.

 

Em resposta, Jambon anunciou sua demissão. “Eu apresentem minha demissão, assim como o Greens. Elas foram recusadas e nós continuaremos”, afirmou, admitindo as falhas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.