Ministros do Hamas renunciam para a criação de governo unificado

Ministros do Hamas entregaram seus pedidos de renúncia nesta quarta-feira, dando um passo no sentido da formação de um governo palestino de união nacional com o moderado Fatah. A medida visa restabelecer a ajuda financeira internacional a Autoridade Nacional Palestina.O porta-voz do governo, Ghazi Hamad, disse em declaração que os ministros entregaram seus pedidos ao primeiro-ministro, Ismail Haniye, líder do Hamas.Esse é o primeiro procedimento formal no sentido da formação do governo unificado. O próximo passo será Haniye entregar sua renúncia ao presidente Mahmoud Abbas, que então escolheria outro candidato para formar um novo governo, provavelmente o próprio Haniye. Hamad disse em sua declaração que "todos os ministros deixaram suas pastas sob a autoridade do premiê, como forma de criar o caminho na direção de um governo unificado". Antes das renúncias, Abbas afirmou que planejava enviar uma delegação à sessão da Assembléia Geral da ONU na próxima semana para tentar reviver o plano do Mapa do Caminho da Paz.Tal plano, que é apoiado pela comunidade internacional e pede a criação de um Estado palestino, foi lançado pelo presidente norte-americano, George W. Bush, com grande estardalhaço durante um encontro em Aqaba, na Jordânia, em junho de 2003. Porém, nem os israelenses nem os palestinos alcançaram suas obrigações iniciais, e o plano nunca saiu do papel."Queremos reviver o mapa do caminho nas Nações Unidas", disse Abbas durante uma coletiva de imprensa com o presidente polonês, Lech Kaczynski, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. "Somos todos a favor da retomada do mapa do caminho", disse o porta-voz do governo israelense Miri Eisin, acrescentando que o primeiro-ministro, Ehud Olmert, havia conversado com o premier britânico, Tony Blair, sobre o plano durante o fim de semana.O comunicado de Abbas foi um claro sinal de que os palestinos querem retomar as negociações de paz e, com isso, acabar com seu isolamento internacional. Governos ocidentais cancelaram auxílios e contatos com a Autoridade Palestina após o Hamas vencer as eleições parlamentares de janeiro.Hamad afirmou que a renúncia dos ministros não paralisará o governo. "Continuaremos trabalhando normalmente", disse. Rejeição à IsraelOficiais do Hamas disseram na terça-feira que não irão se opor à retomada, por parte de Abbas, das conversações de paz com Israel. O Hamas rejeita a existência de um Estado judeu no Oriente Médio, mas o Fatah é a favor das negociações de paz. Durante um encontro de seu partido nesta quarta-feira, Olmert disse que os palestinos são um dos "problemas que ameaçam a existência de Israel", mas afirmou que seu país irá buscar a possibilidade de conversações que "irão pavimentar o caminho para diálogos sérios que poderão nos conduzir muitos passos além". Israel, Estados Unidos e a União Européia rotulam o Hamas como um grupo terrorista e insistem que ele deve abandonar o uso da violência, reconhecer Israel e aceitar acordos de paz. Segundo o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos, Tom Casey, seu país não retomará o auxílio que presta aos palestinos até que o governo palestino aceite todas as condições citadas acima.O fim do auxílio e a recusa de Israel de transferir impostos coletados para o benefício à Autoridade Palestina levou diversas cidades palestinas a uma grande crise financeira, além de incapacitar o governo a pagar os salários de todos os seus 165.000 trabalhadores nos últimos seis meses.Matéria ampliada às 20h44

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