Ministros do Hezbollah renunciam e deixam governo do Líbano à beira do colapso

Decisão foi tomada em protesto contra o Tribunal da ONU que investiga o assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri.

Tariq Saleh, BBC

12 de janeiro de 2011 | 16h24

A renúncia coletiva foi anunciada pelo ministro Jubran Bassil

O governo de unidade nacional do Líbano está à beira do colapso depois que ministros da oposição, liderados pelo Hezbollah, anunciaram nesta quarta-feira suas renúncias.

A decisão foi tomada em protesto contra uma decisão do Tribunal da ONU que investiga o assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri, em 2005.

O Líbano vive uma crise política que se arrasta há vários meses em torno do tribunal da ONU e o possível indiciamento de membros do grupo político e militar Hezbollah, acusando-os de envolvimento na morte de Hariri.

Ao todo, dez ministros apresentaram suas renúncias em uma conferência de imprensa convocada pelo ministro Jubran Bassil, ministro de Energia e genro do líder cristão Michel Aoun, aliado do Hezbollah.

Bassil alegou que a decisão de renunciar foi tomada após informações de que o atual premiê, Saad al-Hariri, recusou um pedido para que o gabinete fosse reunido para discutir a investigação do Tribunal da ONU.

Fracasso

Após a renúncia do grupo da oposição, o ministro de Estado, Adnan Sayyed Hussein, também anunciou que estava deixando o gabinete de Hariri, composto por 30 ministros.

A crise acontece depois do fracasso da intermediação da Síria e da Arábia Saudita, que nos últimos meses tentaram um esforço conjunto para buscar uma saída para o impasse.

Os dois países anunciaram na terça-feira que seus esforços não surtiram efeito e haviam falhado.

Hariri, filho do ex-premiê assassinado Rafik Hariri, recebeu a notícia enquanto se reunia com o presidente americano, Barack Obama, em Washington. Ele antecipou sua volta e embarcou para o Líbano logo após o encontro.

Futuro incerto

Analistas nas emissoras de rádio e televisão libanesas avaliaram a renúncia dos ministros da oposição como o último passo para o colapso total do governo libanês.

Segundo eles, o futuro do Líbano agora fica incerto e só se saberá o que poderá acontecer após o tribunal anunciar seus resultados.

Com a tensão no país, os analistas não descartam um conflito armado nas ruas caso membros do Hezbollah sejam indiciados como autores do atentado a bomba que matou Hariri.

O Hezbollah, que nega qualquer participação no assassinato, qualificou o tribunal como "politizado" e um "projeto israelense". O grupo xiita também pediu que Hariri rejeitasse os resultados da corte internacional.

No entanto, o premiê tem se recusado a abandonar sua cooperação com o tribunal, financiado em parte pelo governo libanês.

Nas ruas, a população libanesa teme que a crise possa levar aos confrontos armados semelhantes aos de 2008, quando facções governistas e militantes do Hebzollah e seus aliados se enfrentaram em Beirute, quase levando o país a uma guerra civil.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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