Ministros exigem renúncia do presidente do Paquistão

Membros do governo ameaçam destituir Pervez Musharraf caso ele não deixe o cargo espontaneamente

Efe,

16 de agosto de 2008 | 11h37

Vários membros do governo pediram neste sábado, 16, ao presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que apresente sua renúncia imediatamente caso não queira ser cassado.   Há vários dias, a imprensa do Paquistão vem especulando sobre a possibilidade de Musharraf buscar "uma saída" que lhe garanta imunidade, mas o presidente continua em silêncio, e seu porta-voz insistiu em sua permanência no cargo, já que "as acusações contra ele são falsas". No entanto, líderes de um dos partidos governistas, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, afastado do poder em 1999 após um violento golpe de Estado e enviado para o exílio, se mostraram contrários à hipótese.   "Se Musharraf decidir renunciar, deveria fazê-lo imediatamente, nos próximos dois dias, ou procederemos imediatamente com um impeachment", disse o ministro de Relações Exteriores paquistanês, Makhdoom Shah Mahmood Qureshi, em declarações à rede de TV Dawn. Na mesma linha, se manifestou a ministra de Informação paquistanesa, Sherry Rehman, segundo quem Musharraf pode se apoiar na Constituição para renunciar. "Existe o artigo 44 (sobre a renúncia do presidente). Se quiser renunciar, pode fazê-lo", disse.   O irmão de Sharif e chefe do governo da província do Punjab (leste), Shahbaz Sharif, disse ao canal Geo TV que Musharraf não deveria deixar o poder de modo impune, mas ser julgado de acordo com a Constituição, pois abusou dela. Já o porta-voz da PML-N, Siddiq ul-Farooq, destacou que o impeachment de Musharraf "é necessário para dar exemplo a futuros ditadores". "Em dois dias, apresentaremos a folha de acusações contra ele no Parlamento. Não demorará muito", acrescentou Farooq em entrevista à Dawn.   Segundo o porta-voz da PML-N, o documento que acusa Musharraf de "violação grave da Constituição" já está concluído, mas ainda precisa ser aprovada por todos os membros da coalizão governista. Citando fontes da aliança, o jornal Daily Times afirma que o governo pedirá ao chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kayani, que intervenha "caso o presidente não demonstre flexibilidade" nos próximos dias.   As quatro assembléias regionais do Paquistão já aprovaram uma resolução que exige que Musharraf se submeta a uma moção de confiança ou enfrente o processo de impeachment. Caso Musharraf recuse esta possibilidade, nos próximos dias os partidos governistas apresentarão ao Parlamento uma folha de acusações, com o intuito de dar início ao processo de cassação. Posteriormente, será convocada uma sessão conjunta entre a Assembléia Nacional e o Senado, no máximo em duas semanas, para investigar, debater e votar a cassação. Para que a cassação seja consumada, são necessários dois terços dos votos dos parlamentares na sessão conjunta.

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