J. Scott Applewhite/AP
J. Scott Applewhite/AP

Ministros israelenses se irritam com comentários de Hillary

Secretária de Estado dos EUA critica discriminação contra mulheres em Israel e compara país ao Irã

TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h04

TEL-AVIV - Vários ministros do governo israelense responderam de maneira dura aos comentários feitos no sábado pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Em discurso feito em um congresso em Washington, Hillary criticou o discriminação sofrida por mulheres em Israel e as leis aprovadas recentemente pelo Knesset (Parlamento) que restringem o financiamento de organizações de centro e de esquerda no país.

Hillary mencionou casos de soldados do Exército israelense que abandonaram concertos que envolviam cantoras e criticou o fato de mulheres sentarem na parte de trás dos ônibus em muitos lugares de Israel. De acordo com a secretária de Estado dos EUA, muitos desses fenômenos "lembram o Irã".

O ministro das Finanças, Yuval Steinitz, disse que os comentários de Hillary eram "completamente exagerados". "A democracia israelense está viva", afirmou Steinitz ontem após reunião de gabinete. "Não conheço muitas democracias melhores no mundo. É claro que precisamos consertar algumas coisas às vezes. A questão da exclusão e da segregação das mulheres é completamente inaceitável e tem de acabar, mas há uma grande distância entre isso e dizer que a democracia israelense está ameaçada."

O ministro do Meio Ambiente, Gilad Erdan, afirmou que autoridades eleitas devem se concentrar no que ocorre em seus próprios países. No entanto, Erdan reconheceu que é preocupante a dignidade das mulheres. Ele disse que o governo deve tomar medidas para demonstrar seu compromisso com a igualdade de gêneros em Israel.

O ministro do Interior, Eli Yishai, declarou que o Knesset só aprova leis após uma rigorosa análise de cada caso. "Israel é o único país democrático do Oriente Médio", disse. "Eu suponho que tudo o que foi feito até aqui está dentro da lei e não estou preocupado com isso."

Financiamento. Ontem, de acordo com o jornal israelense Haaretz, o embaixador dos EUA em Israel, Dan Shapiro, transmitiu uma mensagem ao governo de Israel de que o presidente americano, Barack Obama, está preocupado com as leis propostas pelo Knesset que podem limitar o financiamento de ONGs por governos estrangeiros

Shapiro disse que o projeto que atualmente tramita no Parlamento é muito mais radical do que a legislação americana e de outras democracias ocidentais.

A lei a que se refere o embaixador americano foi elaborada por Faina Kirshenbaum, deputado do partido ultradireitista Israel Beiteinu. Ela proíbe quaisquer doações feitas por estrangeiros a ONGs que rejeitem o direito de existência do Estado israelense, incitem o racismo e a violência contra Israel ou defendam o julgamento de soldados israelenses em tribunais internacionais.

Embaixada dos EUA em Israel, no entanto, financia uma série de ONGs que realizam múltiplas funções. Elas fazem trabalhos que vão do incentivam ao estudo do inglês, passando pelo apoio à convivência entre judeus e árabes e até a luta pela melhor condição das mulheres em comunidades beduínas. A Casa Branca tem que muitas dessas ONGs sejam prejudicadas pela lei que tramita no Parlamento. / AP e REUTERS

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