Ministros peruanos pedem demissão coletiva a Humala

Gabinete do governo que completa um ano no sábado é renovado pela 3ª vez, um recorde nas últimas décadas

LIMA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h04

Todos os ministros do Peru apresentaram ontem sua renúncia ao presidente do país, Ollanta Humala, cuja popularidade vem caindo em razão dos conflitos sociais que seu governo enfrenta. Essa é a terceira mudança de gabinete da gestão que completa um ano no sábado, uma situação inédita no Executivo peruano nas últimas décadas.

Humala nomeou ontem à noite Juan Jiménez Mayor, ministro da Justiça no gabinete demissionário, como novo chefe do Conselho de ministros no lugar de Oscar Valdés, que comandou a repressão aos protestos no Departamento de Cajamarca. A atuação das forças policiais deixou cinco manifestantes mortos no início do mês e, segundo analistas políticos do Peru, a substituição de Valdés é uma das principais mudanças do governo.

Os habitantes da região, onde o governo federal impôs um estado de emergência, têm se manifestado contra um projeto que prevê novas instalações da mineradora Yanacocha - que pertence à empresa americana Newmont - com medo de que fontes de água sejam contaminadas ou sequem.

Ao menos 17 pessoas morreram em manifestações populares durante o governo Humala, que enfrenta atualmente 169 conflitos sociais ativos e outros 68 "latentes", segundo informações da Defensoria Pública peruana.

Além de Jiménez, advogado especialista em direitos humanos, outro ministro demissionário tinha sido cotado para substituir Valdés: Manuel Pulgar Vidal, do Meio Ambiente. O governador do Departamento de Moquegua, Martín Vizcara, também teria sido cogitado pelo presidente para chefiar o Conselho de Ministros.

Humala anunciou ontem à noite seu novo gabinete, mas manteve no cargo o ministro das Finanças, Luis Miguel Castilla, favorito dos investidores, além do ministro das Minas e Energia, Jorge Merino, responsável por um projeto de investimento de US$ 50 bilhões nos gasodutos do principal exportador do mundo.

Popularidade. Segundo dados de uma pesquisa publicada no domingo pela imprensa peruana, a popularidade do presidente caiu 5 pontos porcentuais entre junho e julho - ela estaria em 36%. A desaprovação ao governo de Humala, segundo a sondagem do instituto GfK, aumentou 2 pontos, chegando a 55%. / AFP e REUTERS

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