Minoria iraquiana acusa jihadistas de massacre em aldeia

Pelo menos 40 yazidis foram executados em Kocho, no norte do Iraque, segundo líderes da etnia; tropas curdas esperam por envio de armas

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL , KHAZAR, IRAQUE, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2014 | 02h00

A minoria iraquiana yazidi denunciou ontem que militantes do Estado Islâmico massacraram dezenas de integrantes da etnia no norte do país. Um parlamentar yazidi e um funcionário curdo disseram que os jihadistas chegaram em carros atirando. Segundo o comandante curdo Ziad Sinjar, 42 homens foram mortos e cerca de 80 mulheres e crianças foram sequestrados na aldeia de Kocho, perto de Sinjar, fronteira com a Síria.

Estima-se que militantes do Estado Islâmico tenham matado ao menos 500 membros da etnia na ofensiva no norte do Iraque. A denúncia do massacre - que segundo líderes locais resultou em 80 mortes e centenas de sequestros - ocorreu um dia depois de o presidente Barack Obama anunciar que o resgate dos yazidis não era necessário.

Os peshmergas, combatentes curdos, têm sido a principal força a combater os jihadistas. "Não queremos tropas estrangeiras aqui. Somos bons de combate. Só precisamos de armas para enfrentar o Estado Islâmico", disseram ao Estado na linha de frente do conflito, 40 quilômetros ao norte de Irbil, a capital do Curdistão iraquiano.

Eles admitiram, no entanto, que os bombardeios americanos fizeram uma grande diferença, reequilibrando a luta, que se tornara desigual depois que os jihadistas tomaram armas sofisticadas do Exército iraquiano em Mossul, a segunda maior cidade do Iraque.

Ao longo da estrada que liga Irbil à zona de combate, ao norte do vilarejo de Khazar, havia ontem muitas caminhonetes dos peshmergas, algumas com modestos canhões montados sobre suas cabines e carrocerias.

A maioria dos soldados curdos ainda porta velhos fuzis AK-47, embora alguns já ostentem fuzis da classe M-4, cedidos pelos americanos. "Pouca coisa chegou até agora", disseram os peshmergas, que pediram para não serem identificados por não ter autorização para dar entrevistas. Além do apoio aéreo, eles pediram tanques, peças de artilharia e veículos blindados, para lutar de igual para igual com os jihadistas.

Os peshmergas contaram ter retomado na quinta-feira o vilarejo de Hassan Sham. Disseram ter visto cinco corpos de jihadistas, e quatro ou cinco blindados americanos Humvees destruídos. Não quiseram falar de baixas de seu lado. Alguns bombardeios ocorrem em coordenação com os combatentes curdos, outros são resultado dos voos de reconhecimento constantes dos caças americanos, disseram. Embora os jihadistas ocupem vilarejos da região, os aviões só bombardeiam seus comboios e peças de artilharia, para evitar a morte de civis.

"O Estado Islâmico está evitando se mover, para não ser visto pelos aviões americanos", observou um peshmerga. "Nós disparamos contra eles e eles ficam quietos." Na última trincheira curda, no entanto, os peshmergas mostraram uma casa, a menos de 1 quilômetro de distância, da qual na quinta-feira franco-atiradores estavam disparando contra eles.

Depois que a União Europeia decidiu no início da semana liberar seus países para enviar ajuda militar aos peshmergas, França, Alemanha, Inglaterra, Holanda e República Checa manifestaram disposição de enviar armamentos. Os EUA também já estão enviando equipamento, mas em pequena escala.

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