Minustah prevê saída do Haiti para 2016

Força de estabilização da ONU quer treinar mais 5 mil policiais antes de deixar o país

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL , PORTO PRÍNCIPE, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h03

Na última resolução que prolongou seu mandato no Haiti, em outubro, a ONU decidiu que a Minustah, missão da entidade internacional que busca estabilizar a situação político-social do país desde 2004, deverá reduzir neste ano seu pessoal instalado no território para 8.871 funcionários, dos mais de 10 mil que atualmente mantém na região, entre civis, militares e policiais.

A meta da ONU é se retirar até o fim de 2016, mas apenas se a Polícia Nacional Haitiana (PNH) tiver seu contingente aumentado para 15 mil membros e for capaz de oferecer segurança à população. Se a redução prevista para ocorrer em 2013 se concretizar, o número de integrantes da Minustah que permanecerão no Haiti até dezembro será similar ao registrado antes do terremoto que devastou o país em 12 de janeiro de 2010, quando 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhão ficaram desabrigadas.

A redução já começou a ser posta em prática. Até junho, a previsão é que 460 militares brasileiros retornem ao País. A proporcionalidade em relação às tropas que integram a Minustah, porém, deverá continuar a mesma.

O controle da violência - ainda alta principalmente em razão de confrontos entre gangues rivais e desses grupos com a polícia da ONU (Unpol, na sigla em inglês) - é visto como a "parte final" da missão, segundo explicou Mariano Fernández, chefe da representação das Nações Unidas no país.

"O que a Minustah pretende é sair daqui. Mas o estado de direito tem de ser estabelecido. Para que a Minustah se retire é preciso que haja uma força policial suficiente", disse. A meta das Nações Unidas é que 1,2 mil policiais haitianos sejam treinados por ano. Hoje, cerca de 10,1 mil agentes compõem a PNH.

Entre os principais problemas de criminalidade do Haiti estão a violência doméstica e as agressões sexuais. A capitão Virgínia Lima, policial militar brasileira que integra a Unpol, explicou que a maioria desses crimes ocorre nos campos que abrigam "deslocados internos", os desalojados pelo terremoto que ainda vivem acampados em condições precárias, e nas comunidades mais carentes. "O problema é cultural", disse a agente. Segundo ela, a maioria dos estupros e agressões a mulheres não é relatada, pois "os haitianos não veem isso como crimes". Segundo o inspetor -geral Jean-Yone Trecile, chefe da PNH, as mulheres têm denunciado mais esses crimes.

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