Miss muda rotina de emissora chavista

Concurso de beleza interrompe propaganda oficial

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h01

A miss Venezuela, Irene Sofía Esser Quintero, conseguiu na noite de ontem uma façanha de dar inveja na oposição a Hugo Chávez: cortar a sequência de programas dedicados exclusivamente a exaltar a vitória chavista no domingo.

Nos três dias seguintes à votação, a grade de programação governista transmitiu a posse dos 20 governadores chavistas, diminuiu o triunfo de Henrique Capriles em Miranda e ridicularizou a desculpa da oposição para o fracasso - a abstenção de 46%.

"Depois da paralisação do setor petrolífero (para os chavistas, uma sabotagem, para a oposição, uma greve geral que parou o setor em 2002), certos canais se autocensuram, exceto Globovisión e RCTV, que desapareceu (teve a concessão cassada pelo governo)", diz Marcelino Bisbal, diretor da pós-graduação em comunicação social da Universidade Andrés Bello.

Às 20 horas de ontem (22h30 em Brasília), a transmissão de Las Vegas do Miss Universo, uma tradição no país que ser orgulha de ter conquistado seis vezes o troféu, tirou a política do ar.

No canal Venevisión, Irene, criada em uma zona cacaueira de Sucre, no norte do país, ganhou na terça-feira destaque não pelo que disse na prévia do concurso - quer ser atriz para desempenhar papéis desafiadores -, mas pelo apoio declarado ao chavismo. "Até essa linda mulher está conosco!", dizia o apresentador, Miguel Pérez Pirela, exibindo sua foto no telão.

"Em junho de 2015, acaba a concessão da Globovisión, a principal de oposição. Se esse governo continuar, vão encerrar a transmissão. No cenário atual, estranho seria a Miss Venezuela dizer que é da oposição", opina Bisbal. / R.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.