Missa lembra 20 anos de atentado contra Pinochet

Os 20 anos do atentado perpetrado em 1986 contra o então ditador chileno Augusto Pinochet foram lembrados nesta quinta-feira com uma missa à memória dos seguranças que morreram no incidente.Enquanto o Exército lembrou o aniversário do ataque com uma missa na catedral militar, o Partido Comunista reivindicou a ação cometida por guerrilheiros da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), considerado na época seu braço armado.Estudantes universitários entraram em confronto com a Polícia em manifestações contrárias ao ex-ditador. Na próxima segunda-feira, completa-se 33 anos do golpe militar que derrubou o governo do Chile, em 1973.A missa contou com a presença da esposa de Pinochet, Lucía Hiriart, e do chefe do Exército, Oscar Izurieta, além de oficiais aposentados e outros partidários do ex-governante, processado por violações dos direitos humanos e corrupção.Após a cerimônia, Lucía Hiriart afirmou que seu marido pediu perdão a aliados e inimigos, e chamou de "heróis" os seguranças mortos na emboscada.O ex-ditador, que governou o Chile de 1973 a 1990, saiu ileso do atentado, perpetrado por 21 membros do FPMR. Cinco de seus seguranças morreram, entretanto, e outros doze ficaram feridos.Pinochet, que retornava à capital após passar um fim de semana no campo, sofreu ferimentos leves na mão direita, graças à habilidade do motorista de seu automóvel, que conseguiu escapar em meio a uma chuva de balas.Após o atentado, diversos militantes de esquerda, entre eles o jornalista José Carrasco Taipa, foram assassinados em diferentes pontos de Santiago por esquadrões da morte, que foram mobilizados enquanto a capital chilena estava sob estado de sítio.Diversos participantes do atentado foram capturados e passaram alguns anos na prisão, mas muitos deles fugiram em janeiro de 1990.Guillermo Teillier, presidente do Partido Comunista do Chile e, como se soube recentemente, alto membro do FPMR, disse que foi positivo que Pinochet sobrevivesse ao atentado, pois isso permitiu que tivesse sua vida investigada."Os anos mostraram que Pinochet não era apenas violador dos direitos humanos, mas uma pessoa que roubou fundos do Estado, e está sendo investigado por participação no tráfico de armas", afirmou.Estudantes da Universidade de Santiago e grupos de homens encapuzados, proferindo palavras de ordem pelos 20 anos do atentado, montaram barricadas na Avenida Alameda e lançaram pedras contra a Polícia, que recorreu a jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.De madrugada, uma das portas da catedral militar foi danificada por uma bomba. No lugar foram encontrados panfletos referentes aos 33 anos do golpe militar.Este ano, as organizações de esquerda adiantaram para domingo a manifestação com que tradicionalmente lembram a derrocada e morte do presidente socialista Salvador Allende.O governo, que lembrará a data com uma missa, reiterou hoje seus pedidos de prudência e tranqüilidade nos atos programados por diversas organizações sociais, políticas e de direitos humanos.

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