Missão afegã perde apoio nos EUA

Comando militar deve pedir reforço extra e Obama terá de convencer americanos de que guerra é necessária

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2009 | 00h00

No fim do mês, o presidente americano, Barack Obama, receberá um pedido do general Stanley McChrystal, principal comandante americano no Afeganistão. Ele deve dizer que, para derrotar o Taleban com a nova estratégia de contraguerrilha, será preciso enviar mais milhares de soldados americanos ao país.

No início do ano, Obama já havia concordado em enviar 21 mil soldados, aumentando o número de forças americanas no Afeganistão para 68 mil. Mas o Taleban vem avançando no país e o número de soldados americanos mortos em 2009 chegou a 178, um recorde.

A paciência do povo americano com as baixas no Afeganistão está acabando. Segundo uma pesquisa divulgada na terça-feira, 57% dos americanos são contra a guerra no Afeganistão. O porcentual de americanos que se opõem à guerra subiu 11% desde abril.

Ao lado da reforma do sistema de saúde, a guerra do Afeganistão é o principal motivo para a queda na popularidade de Obama. Para convencer os eleitores e congressistas de que a nova estratégia tem futuro, Obama terá de convencer os americanos de que a guerra é necessária.

"Ele depende do apoio de republicanos porque sua base democrata não vai apoiá-lo", diz Peter Browne, diretor-assistente do Instituto de Pesquisas da Universidade Quinnipiac.

Grupos pacifistas e a ala mais à esquerda do Partido Democrata preparam-se para uma ofensiva de protestos contra a guerra a partir deste mês. E até os republicanos mais moderados começam a questionar o propósito de deixar as tropas americanas lá.

As suspeitas de fraude nas eleições e o ataque de sexta-feira da Otan na Província de Kunduz, que resultou na morte de dezenas de civis afegãos, são uma amostra das limitações da estratégia.

Seu objetivo seria conquistar as pessoas e fazer com que elas deixem de abrigar os terroristas - em vez de pôr o Exército americano para matar os terroristas. Por isso, um dos principais pré-requisitos é não matar civis afegãos, para não perder o apoio da população local.

Outra condição é o aumento do contingente. No Iraque, onde a estratégia deu certo, havia no pico da escalada de tropas 168 mil soldados para uma população de 28 milhões. No Afeganistão, serão 108 mil soldados (contando Otan e EUA) no final do ano, para 33 milhões de afegãos.

Anthony Cordesman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, publicou um estudo dizendo que os EUA "não destinaram recursos suficientes para o conflito no Afeganistão, a ponto de se arriscar a serem derrotados".

Portanto, enviar mais soldados pode ser o único jeito de ter algo parecido com uma vitória. Resta agora a Obama a tarefa de convencer o povo americano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.