Kena Betancur/Reuters
Kena Betancur/Reuters

Missão da OEA pede a partidos que contenham violência

Observadores condenam confrontos entre seguidores de candidatos; Minustah promete garantir segurança

, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou ontem o aumento da violência pré-eleitoral no Haiti e pediu a calma no país às vésperas das eleições presidenciais e legislativas. A missão condenou particularmente os confrontos de segunda-feira entre os seguidores dos candidatos Jude Celestín e Charles Henry Baker, que deixaram dois mortos. Os observadores da OEA pediram aos candidatos e aos partidos que demonstrem sua liderança e responsabilidade e exijam que seus seguidores "observem o espírito da tolerância".

As forças da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah), deram garantias de que assegurarão a ordem e realizarão ações preventivas.

O temor de que ladrões que fugiram das prisões no dia do terremoto de 12 de janeiro voltassem para favelas e outros pontos delicados de Porto Príncipe não se concretizou passados mais de dez meses. Circular pelo centro da capital haitiana exige cautela, mas dá para usar celular ou tirar fotografias sem maiores riscos de ser roubado. Os moradores mais pobres pedem dinheiro o tempo todo e se aglomeram ao redor de estrangeiros. Mas, em nenhum momento, partem para confrontação. Alguns entrevistados advertiram para que se tome cuidado com agressões amanhã, dia da eleição.

Ao circular à noite por Porto Príncipe, acompanhado de militares brasileiros, o Estado verificou que a situação estava calma, incluindo os pontos considerados mais violentos, como a favela de Cité Soleil. Um dos problemas ainda é a falta de luz nos bairros mais pobres. Em algumas zonas, como a do mercado municipal, ainda há quarteirões inteiros destruídos pelo terremoto que se converteram em um cidade fantasma durante a noite.

No dia da eleição, "os ânimos podem ficar mais acirrados porque, tradicionalmente, a violência aumenta nesses períodos no Haiti", disse o comandante das forças da ONU no Haiti, general Paul Cruz. Segundo ele, "muitas vezes esta instabilidade é provocada por milícias ligadas a políticos". Esta votação ainda tem a agravante de ser competitiva, com muitos candidatos em condições de chegar ao segundo turno.

O esquema de segurança montado no Haiti pela ONU envolve a divisão dos centros de votação nas categorias vermelha, amarela e verde. Nos vermelhos, as forças da ONU estarão a postos caso ocorra qualquer distúrbio. A maior parte deles se localiza no interior do Haiti. A situação, de acordo com a Minustah, está controlada em Porto Príncipe. "Nossa preocupação maior é fazer com que os eleitores se disponham a ir votar", disse o general brasileiro em entrevista a jornalistas em Porto Príncipe.

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