Missão da OEA vai à Bolívia para tentar conter crise

Documento final da Unasul expressa apoio a Evo e respalda a integridade territorial boliviana

ROBERTO LAMEIRINHAS, Agencia Estado

16 de setembro de 2008 | 00h56

Os nove presidentes sul-americanos reunidos na segunda-feira, 15, em Santiago, no Chile, em um encontro de emergência da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), aprovaram o envio de uma missão especial da Organização de Estados Americanos (OEA) à Bolívia para ajudar na busca de uma solução para a crise política naquele país. O secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, viaja nesta terça-feira, 16, para La Paz para dar início à missão, que consiste em abrir um canal de negociação entre governo e oposição. O anúncio foi feito após seis horas de discussões a portas fechadas no Palácio la Moneda. Veja também:Brasil quer que texto da Unasul não cite EUA, diz jornalCúpula para Bolívia não será palco de radicalismos, diz ChileLula pretende convencer Evo a aceitar ajuda Entenda os protestos da oposição na BolíviaEntenda o que é a UnasulEnviada do 'Estado' mostra o fim dos bloqueios Imagens das manifestações  Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA  Durante as mais de seis horas de conversação, o presidente boliviano, Evo Morales, condicionou a instalação de uma mesa de diálogo pela OEA à desocupação dos prédios públicos tomados pela oposição e à investigação do que chamou de "massacre de Pando" - em uma referência aos 15 mortos no departamento do norte da Bolívia nos últimos dias. Insulza declarou que a OEA estaria capacitada para realizar a apuração. Os líderes de Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela expressaram apoio a Evo no documento final, além de respaldarem a integridade territorial boliviana. Segundo o chanceler do Peru, José Antonio García Belaúnde, a Unasul também estuda a possibilidade de acompanhar a investigação sobre as mortes em Pando e, após consultas ao governo e à oposição da Bolívia, acompanhar paralelamente a instalação da mesa de negociação. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, resumiu, ao final do encontro, o objetivo dos líderes. "Evo precisa ter o apoio da região, ele é o presidente legitimamente eleito", afirmou. "E essa legitimidade foi ratificada por 67% dos bolivianos", acrescentou Lula. Segundo ele, "questões relativas ao tema do gás não foram tratadas na reunião".

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