Missão da ONU chega a local de massacre na Síria

General Robert Mood, chefe da equipe de observadores internacionais, diz que está disposto a investigar a morte demais de 220 pessoas em Tremseh

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h06

A equipe de observadores da ONU na Síria conseguiu entrar ontem na cidade de Tremseh, palco de um massacre ocorrido na quinta-feira. A missão só chegou ao local após horas de negociação com autoridades do regime do presidente Bashar Assad.

Os observadores, que vieram da capital Damasco em três veículos, se uniram a outro grupo que estava em Hama, também palco de violentos confrontos e reduto opositor, no centro do país, e juntos seguiram para Tremseh.

Os rebeldes sírios denunciaram que mais de 220 pessoas foram mortas na cidade por forças leais a Assad. Segundo os opositores, o local foi atacado por helicópteros e tanques. Milicianos pró-governo teriam invadido a localidade armados e executaram diversas vítimas, a maioria civis.

O Exército sírio, no entanto, desmentiu a versão e afirmou que enfrentou supostos grupos terroristas que vinham destruindo casas e cometido assassinatos e sequestros na região. "Na quinta-feira de manhã, unidades das Forças Armadas realizaram uma operação especial em Tremseh, que teve como alvo membros de grupos terroristas", disse ontem uma fonte militar à agência oficial Sana.

O chefe da missão de observadores da ONU, o general Robert Mood, afirmou que a equipe está disposta a investigar o episódio. Mood também confirmou que as tropas do governo haviam colocado tanques e helicópteros a postos em várias cidades do país.

Vários grupos opositores responsabilizaram a comunidade internacional pelo massacre de Tremseh. De acordo com eles, a inoperância e o fracasso da reação contra o regime aumentaram a violência das forças de Assad contra a população civil.

Os observadores da ONU chegaram à Síria em abril para supervisionar a aplicação do plano de paz do mediador Kofi Annan. Entre os seis tópicos do plano estão o fim da violência, a retirada de tropas das cidades, a libertação dos detidos em protestos e o início de um diálogo nacional. / EFE

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