Missão da ONU discute eleições diretas com conselho iraquiano

A missão da ONU enviada a Bagdá paraestudar a viabilidade da realização de eleições diretas para umaassembléia provisória até 30 de junho - como exige a maioriaxiita - reuniu-se hoje (08), em Bagdá com o Conselho de Governodo Iraque. Na véspera, a equipe liderada pelo argelino LakhdarBrahimi tinha se encontrado com o administrador da ocupaçãoamericana, Paul Bremer. "Há consenso no conselho sobre a necessidade das eleições, mashá pontos de vista conflitantes sobre a possibilidade derealizá-lo", disse, após o encontro, Entifadh Qanbar,representante do chefe do Conselho de Governo, Ahmed Chalabi. A missão da ONU - a de mais alto nível a visitar o Iraquedesde que a entidade se retirou do país, por questões desegurança, no ano passado - reuniu-se também separadamente com olíder xiita Abdel Aziz Hakim e se encontraria, depois com ogrão-aiatolá Ali Sistani, ambos partidários da realização daeleição direta. Washington tem sustentado que não haverá tempo nem condiçõesde segurança para realizar eleições diretas antes de junho,quando seu cronograma prevê a devolução do poder aos iraquianos.Os americanos pretendem a realização de votações entre líderespolíticos regionais para formar a assembléia transitória, umaproposta a qual se opõe a maioria xiita, que constitui 60% dapopulação iraquiana. Enquanto as negociações políticas se intensificam, a violênciano país prossegue. Pelo menos três policiais morreram e cerca dedez ficaram feridos hoje na explosão de uma bomba em umadelegacia em Sweira, a 50 quilômetros de Bagdá. Em Mahmudiya, a20 quilômetros da capital, um soldado americano foi morto naexplosão de uma bomba colocada numa estrada e detonada nomomento em que um comboio militar passou por ela. Outra bomba plantada numa estrada em Faluja, oeste de Bagdá,feriu dois soldados americanos. Na cidade nortista de Mossul, umcomboio dos EUA foi atacado com granadas propelidas por foguetes deixando um soldado ferido. Também hoje, um comboio de veículos blindados com tropasjaponesas chegou à cidade de Samawah, sudeste do Iraque, vindodo Kuwait. São os primeiros soldados do Japão a serem deslocadospara uma zona de combate desde o fim da Segunda Guerra Mundial. As tropas terrestres, a maioria engenheiros, são aponta-de-lança de um contingente que eventualmente chegará a 800soldados que promoverão uma controvertida missão humanitária. O príncipe Charles fez hoje uma visita-surpresa, em meio a umforte esquema de segurança, a tropas britânicas na cidadesulista de Basra, a primeira de um membro da família real aopaís desde a derrubada de Saddam Hussein. Vestido com uniforme de camuflagem de deserto, botas pesadas euma boina preta, Charles encontrou-se com mais de 200 soldadosdo 2º Batalhão de Pára-quedistas e os agradeceu pelo seutrabalho no Iraque. "O que vocês estão fazendo, muitos de vocês, treinandoiraquianos para se tornarem um bando de soldados quase tão bonsquanto vocês são, é... de enorme importância porque esta partedo mundo não tem muita chance a não ser que suas forças armadaspossam aprender muitas coisas com as experiências de vocês...não apenas militarmente, mas em seus corações e mentes", disse oherdeiro do trono britânico durante a visita de cinco horas emeia ao Iraque.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.