Missão da ONU no Congo pode usar armas contra rebeldes

A missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Congo, conhecida como Monusco, informou nesta segunda-feira que colocou suas tropas em alerta "alto" para defender a cidade de Goma, já que os confrontos entre tropas do governo e rebeldes do grupo M23 foram retomados nesta manhã.

Agência Estado

15 de julho de 2013 | 10h17

Os combates tiveram início no domingo, pela segunda vez em uma semana, depois que rebeldes do M23 atacaram posições do Exército congolês em Mutako, cerca de 8 quilômetros ao norte de Goma, usando artilharia pesada e tanques, revelou a Monusco.

O barulho de armas pesadas e explosões assustou os moradores, fazendo com que centenas deles fugissem para campos de refugiados nas proximidades de Goma, informaram trabalhadores humanitários.

Um porta-voz da Monusco disse que as tropas "estão prontas para tomar quaisquer medidas necessárias, incluindo o uso de força letal" para proteger Goma, cidade de cerca de 1 milhão de habitantes, que foi capturada por um curto espaço de tempo no ano passado pelos rebeldes do M23.

"Qualquer tentativa do M23 de avançar na direção de Goma será considerada uma ameaça direta aos civis", afirmou o porta-voz.

Tanto o governo quanto o M23 responsabilizam um ao outro pelo início dos combates no domingo. Confrontos esporádicos tiveram início nas proximidades de Goma na semana passada, colocando fim a uma trégua de quase dois meses.

A última onda de confrontos ocorre no momento em que a ONU mantém os esforços para intensificar a missão de paz, que foi amplamente criticada por permitir que os rebeldes do M23 tomassem Goma em novembro do ano passado.

"O governo escolheu nos atacar...mas ainda esperamos por eles em Kampala para negociar a paz", declarou Amani Kabasha, porta-voz do M23 à Dow Jones Newswires.

Um porta-voz do governo congolês acusou o M23 de ser desonesto. "Cada vez que estamos a ponto de concluir as conversações de paz, eles atacam", afirmou.

As negociações entre o M23 e o governo acontecem desde dezembro do ano passado em Kampala, mas com poucos avanços. O M23 é formado principalmente por ex-amotinados do Exército e recrutas, forçados a se juntar ao grupo. Eles saíram do Exército congolês no ano passado, acusando o governo de renegar o acordo de paz de 2009, sob o qual haviam sido integrados ao Exército nacional.

Combatentes disfarçam-se com roupas femininas

Novos confrontos foram registrados na região leste do Congo, depois que mais de 100 homens armados, disfarçados com roupas femininas, entraram no país pela fronteira com Ruanda.

"Eles estavam usando kikwembe", um xale congolês usado pelas mulheres, "sobre seus uniformes, além de lenços de cabeça femininos", disse Bifumbu Ruhira, agricultor da vila de Kanyarucinya, na linha de frente entre o Exército congolês e o M23.

Ruhira disse à Associated Press que viu os combatentes saíram de dois caminhões no lado ruandês e cruzarem a fronteira. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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