Missão do FMI desembarca nesta 2ª na Argentina

Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) desembarca nesta segunda-feira na Argentina no exato momento em que a equipe do presidente Eduardo Duhalde trabalha contra o relógio na montagem de um Orçamento para 2002. O desafio será criar um projeto suficientemente austero, para conseguir a ajuda financeira deste e de outros organismos internacionais, e deglutível entre os governadores da base de sustentação do governo. Nesta semana, a equipe econômica ainda terá o desafio de abrandar as regras de liberação dos depósitos bancários de empresas e dos cidadãos, presos no chamado curralzinho, e o anúncio de novas medidas econômicas. Em busca da colaboração internacional para resolver os nós da economia argentina, o ministro da Fazenda da Argentina, Jorge Remes Lenicov, conversou por telefone com o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, no último sábado. Ao final da conversa, decidiu organizar uma teleconferência com autoridades da área econômica de países que conseguiram se sair bem de processos de desvalorização. O evento deverá ocorrer ainda nesta semana, com a participação do Brasil, do México, da Malásia e da Indonésia. A missão técnica do FMI desembarca em Buenos Aires ciente da necessidade do governo argentino angariar entre US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões do Fundo e de outros organismos. O presidente Duhalde, entretanto, deixou claro, em entrevistas concedidas à imprensa argentina no último final de semana, que compreende a cautela do Fundo de liberar recursos somente depois de seu país apresentar uma plano econômico consistente. O Fundo não pode nos dar ajudar se não apresentamos um programa que seja realmente sustentável, do ponto de vista argentino, não do ponto de vista de outros países, afirmou. Temos de trabalhar contra o relógio, temos de apresentar o orçamento nesta semana. Temos de buscar os organismos internacionais o mais cedo possível. Necessitamos da ajuda de outros países, como os Estados Unidos, completou o presidente argentino, ao jornal La Nación. Em princípio, ao receber a missão do Fundo, o governo argentino pretendia passar uma borracha nos atritos acumulados pelo ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, com o organismo. As declarações de Duhalde indicavam sua intenção de não estimular novas rugas. Entretanto, no mesmo sábado em que concedeu as entrevistas, o vice-ministro da Fazenda, Jorge Todesca, respondeu duramente às afirmações da subdiretora-gerente do FMI, Anne Krueger, que havia condicionado o apoio do organismo à apresentação de um plano econômico coerente. Todesca pediu que Krueger falasse menos e que não desse conselhos "a 10 mil quilômetros de distância e sem um bom conhecimento da situação". Crescimento - A expectativa é que o projeto de Orçamento de 2002 esteja pronto até a próxima sexta-feira e que, no prazo máximo de mais dez dias, seja aprovado pelo Congresso. Ontem, ao ser questionado sobre as pressões do FMI para que as contas do projeto demonstrem consistência com o ajuste fiscal necessário, o secretário de Fazenda, Oscar Lamberto, declarou que as contas serão austeras como qualquer família faria em um momento como este e reiterou que o governo não vai emitir divisas sem limites nem vamos algo desatinado. Segundo Lamberto, o projeto de Orçamento em elaboração pelo Ministério da Fazenda terá como premissa o crescimento zero da atividade econômica nos primeiros meses do ano, em relação a 2001. Para o último trimestre de 2002, entretanto, a previsão é de crescimento de 4%. A arrecadação total, de acordo com declarações de Duhalde, alcançaria 39 bilhoes a 41 bilhões de pesos neste ano. Mas ainda não está definido a proporção do superávit, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que necessário para acalmar a equipe do FMI. Em princípio, a equipe econômica trabalha com um corte dos gastos administrativos de US$ 2 bilhões. O secretário-geral da Presidência da Argentina, Aníbal Fernandez, afirmou que os próximos dias serão de permanente tomada de decisões pela equipe econômica. Ninguém está parado, declarou. Para esta segunda, está previsto o início dos anúncios da flexibilização do curralzinho, de forma a aumentar a liquidez da economia e impedir o colapso da cadeias de pagamentos. O governo deverá autorizar os aplicadores em operações a prazo fixo em dólares a converter esses investimentos em pesos, se desejarem. Uma vez pesificados, esses recursos poderão ser parcialmente ou totalmente transferidos para as contas correntes ou as cadernetas de poupança e sacados, depois, dentro dos limites do curralzinho.

Agencia Estado,

13 Janeiro 2002 | 18h43

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