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Missão fracassada no Iêmen deixa 13 mortos

Uma mulher e uma criança estão entre as vítimas; funcionário americano diz que agentes não sabiam identidade do 2º refém

O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2014 | 20h10

SANA - Uma mulher, uma criança e um líder local da Al-Qaeda estão entre as 11 pessoas que morreram juntamente com os dois reféns durante a fracassada missão de resgate dos Estados Unidos no Iêmen, informaram neste domingo, 7, moradores da aldeia de Dafaar, sul do país.

O repórter fotográfico americano Luke Somers, de 33 anos, e o professor sul-africano Pierre Korkie, de 56 anos, foram abatidos por seus captores durante a operação para libertar os reféns. 

Uma fonte do governo dos EUA informou à rede BBC que as forças especiais enviadas ao Iêmen para o resgate não sabiam a identidade do outro refém que estava com Somers. Um agente humanitário que trabalhava com Korkie disse que a libertação dele havia sido negociada e ele deveria ter sido solto neste domingo por seus sequestradores. 


O governo americano disse que ordenou a missão por acreditar que a vida de Somers corria sério perigo. As autoridades sul-africanas disseram que ficaram profundamente tristes com a morte de Korkie, cujo corpo chega nesta segunda à África do Sul.

A Al-Qaeda na Península Arábica, formada em 2006 com a fusão das facções iemenita e saudita da rede, foi considerada durante anos, tem sido considerada pelo governo americano como um dos braços mais perigosos do movimento. Pelo menos um turco e um britânico permanecem reféns do grupo. 

A rede com sede no Iêmen e leal à Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden, denunciou o Estado Islâmico, mas fontes ocidentais e do Golfo Pérsico acreditam que poderia haver conexões entre ambos grupos.

“A Al-Qaeda da Península Islâmica e o Daesh (Estado Islâmico) são essencialmente a mesma organização, mas têm diferentes métodos de execução e táticas”, afirmou um funcionário de alto escalão da inteligência do Iêmen durante uma conferência em Bahrein.

“Mataram reféns antes, como as forças especiais iemenitas em Abyan em 2011. Há algumas células da Al-Qaeda da Península Islâmica que prometeram lealdade ao Estado Islâmico, mas há uma divisão sobre a legitimidade do Daesh em sua visão, mas não sobre suas táticas”, acrescentou.

Além da mulher e da criança um comandante e dois integrantes do grupo foram mortos durante a operação. O comandante foi identificado como Jamal Mubarak al-Hard al-Daghari al-Awlaki.

Funcionários de alto escalão dos EUA disseram que a incursão foi realizada somente por forças especiais americanas, mas moradores disseram que agentes iemenitas também participaram da operação e entraram em confronto com os sequestradores de Somers e Korkie. “Antes dos disparos, uma luz muito forte transformou a noite em dia e então escutamos fortes explosões”, disse um morador que se identificou apenas como Jamal. “Os soldados chamaram os moradores de uma casa que se renderam e o que falava era claramente um iemenita”, acrescentou. / REUTERS e AP

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