Missão militar no Mali deve demorar seis meses

O início da ofensiva militar no norte do Mali contra grupos radicais islâmicos ligados à Al-Qaeda deve demorar entre seis meses e um ano, apesar de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado por unanimidade uma resolução autorizando o envio de tropas ao país.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE/ NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h04

"Nossa prioridade não é a via militar, mas política, com a reconciliação entre as autoridades em Bamako (capital de Mali) e grupos armados do norte que tenham se distanciado de organizações terroristas. Isso pode demorar meses. Neste período, vamos reconstruir o Exército de Mali com apoio das forças africanas. Em alguns momentos, terão de enfrentar a Al-Qaeda", disse o embaixador da França na ONU, Gerard Araud, que comandou as negociações para a aprovação da resolução, acrescentando que o processo pode levar de "seis meses a um ano".

Em março, um golpe militar derrubou um governo democraticamente eleito em Bamako. Grupos radicais islâmicos ligados à Al-Qaeda assumiram o poder no norte do país. Após meses de negociações e com o crescente temor de que a região se transforme em um novo oásis para terroristas, o Conselho de Segurança aprovou o envio de 3,3 mil soldados da Comunidade Econômica do Oeste Africano.

"Uma intervenção militar em Mali não pode somar mais abusos aos já cometidos contra a população de todos os lados. Mas esta resolução da ONU corretamente implementa garantias de direitos humanos para reduzir o risco", afirmou Corinne Dufka, do Human Rights Watch.

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