Missão rejeita pedido de fim da trégua no Sri Lanka

A Missão de Supervisão do Cessar-fogo noSri Lanka (SLMM) rejeitou nesta segunda-feira um pedido da guerrilha tâmil de declarar o fim da trégua no país, ao considerar que esta medida éprerrogativa apenas dos dois signatários do pacto. "Declarar a guerra é algo fora do nosso mandato", afirmou o porta-voz do SLMM, Thorfinnur Omarson. Segundo o acordo de cessar-fogo, apenas uma das duas partes, o governo do Sri Lanka ou os rebeldes Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), poderiam fazer este tipo de anúncio.Omarson lembrou que o declarante da guerra teria de comunicar a sua retirada do acordo de trégua com 14 dias de antecedência. O LTTE solicitou no domingo ao SLMM que declarasse oficialmente ofim da trégua, após quatro dias de bombardeios aéreos contra seus territórios por parte do Exército do Sri Lanka. O chefe político do LTTE no distrito oriental de Tricomalee, S. Elilan, enviou no sábado uma carta ao presidente do SLMM, Ulf Henricsson, na qual afirmava que "é o momento apropriado para que oSLMM declare publicamente que o acordo de cessar-fogo já não é efetivo". "Declaração de guerra"Na carta, Elilan afirma que os bombardeios das Forças Aéreas cingalesas são "equivalentes a uma declaração de guerra" por parte do governo. "Vamos responder com ferocidade se as tropas do Sri Lanka entrarem na região de Mavilaru. Isto trará conseqüências sérias", advertiu o porta-voz da guerrilha. O acordo de cessar-fogo foi assinado em fevereiro de 2002, com mediação da Noruega, país que desde então teve um papel de destaque no processo de paz iniciado no Sri Lanka. Os ataques aéreos foram iniciados na quarta-feira passada, nosdistritos de Batticaloa e Trincomalee, no norte e leste da ilha, que se encontram sob controle da guerrilha. Os bombardeios começaram uma semana depois que a guerrilha bloqueou a provisão de água de uma represa que se encontra dentro de seu território, mas que fornece o líquido para regiões sob o controle do governo. Segundo o Executivo de Colombo, aproximadamente 20 mil pessoas não recebem água há dez dias, o que está provocando uma crise humanitária na região. O Ministério da Defesa negou no sábado que os ataques apontam para uma guerra aberta com o LTTE e afirmou, em comunicado, que "as forças de segurança continuam com uma operação limitada a umobjetivo muito definido: o de garantir a provisão de água para a população civil".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.