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Mísseis podem atingir Europa se Kremlin quiser, diz general

Rússia vê afronta no plano americano de instalar o Sistema de Defesa Antimísseis no Leste Europeu, pois desconfia que escudo sirva contra ameaças nucleares

Por Agencia Estado
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Os militares russos teriam capacidade de disparar mísseis contra Polônia e República Checa se estes países aceitarem receber o escudo antimísseis dos EUA, disse na segunda-feira, 19, o comandante das Forças Estratégicas russas, general Nikolai Solovtsov, ressalvando que o Kremlin não tomou nenhuma decisão nesse sentido. O presidente Vladimir Putin vê como uma ameaça ao seu país o plano americano de instalar parte do Sistema de Defesa Antimísseis no Leste Europeu. "Até agora não vimos nada sendo feito, só intenções sobre as quais se conversam", disse Solovtsov em entrevista coletiva na segunda. "Mas se os governos polonês e checo decidirem (receber o escudo antimísseis), as forças (russas) de mísseis estratégicos serão capazes de ter essas instalações sob sua mira, caso uma decisão política relevante seja tomada", acrescentou. Em nota, a Otan disse que "os dias em que se falava em alvejar a Otan e vice-versa já ficaram há muito para trás. Esse tipo de linguagem extrema é fora de moda e imprópria". No começo da década de 1990, a Rússia anunciou que os mísseis herdados da União Soviética não estavam mais voltados contra os países da Otan, um gesto simbólico que foi um dos marcos do fim da Guerra Fria. Mas as relações entre Moscou e Washington voltaram a azedar por causa da expansão da Otan em direção ao leste e do escudo antimísseis dos EUA. Ameaça nuclear A Rússia desconfia do argumento norte-americano de que o escudo serve contra ameaças nucleares de países como Irã e Coréia do Norte. Solovtsov disse que, graças aos investimentos feitos no governo Putin, a recuperada indústria bélica da Rússia é forte o suficiente para produzir novas gerações de mísseis, capazes de burlar o escudo norte-americano. "Os produtores de mísseis - ou seja, cerca de 500 empresas - serão capazes de cumprir qualquer tarefa nos próximos anos," afirmou. De acordo com o general, as fábricas devem produzir dentro de poucos anos um novo míssil supersônico "invisível" para o escudo norte-americano. Também é possível que seja retomada a produção de vários mísseis, caso Moscou decida abandonar o pacto firmado em 1987 com Washington para proibi-los. "A Rússia está preparada para qualquer cenário agora", disse ele, reiterando várias vezes durante a entrevista que os militares só seguiriam decisões tomadas por políticos. Solovtsov rejeitou sugestões de que a polêmica sobre os mísseis dos EUA na Europa poderia levar ao reinício de uma custosa corrida armamentista. "Durante a Guerra Fria competimos aumentando o número de mísseis e plataformas de lançamento", disse o general. "Não acho que iremos de novo por esse caminho. Podemos resolver a tarefa por meio de armas de qualidade, ao invés de pela quantidade."

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