Míssil antiaéreo pode ter sido usado contra o jato de passageiros

CENÁRIO: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2014 | 02h01

Nenhuma hipótese pode ser descartada na tragédia do voo MH17, mas a maior possibilidade é mesmo a de um ataque antiaéreo contra o Boeing 777 e seus passageiros. Uma provável falha de avaliação do comandante de uma bateria de mísseis que teria confundido o jato comercial com a versão de inteligência do Ilyushin-76, avião militar de grande porte. Um Ilyushin da aviação russa estava em trânsito ontem pela área da divisa binacional.

A arma mais cotada é o Buk, um míssil interceptador com cerca de 50 anos de história, três gerações e dez diferentes configurações. Tem tecnologia intermediária e foi produzido regularmente na Ucrânia durante a Guerra Fria. Projetado para atingir aeronaves a grande altitude, pode alcançar alvos a 25 km de altura e a pouco mais de 50 km de distância, segundo o fabricante. É guiado por um sistema duplo de radar - o primeiro, de terra, ilumina o objetivo, e o segundo, a bordo do míssil, conduz o veículo na fase terminal até a detonação. Um deles seria capaz de derrubar o enorme 777 dependendo do ponto de impacto. Dois, com toda certeza. Uma salva do Buk é formada por quatro unidades. A carga explosiva em cada ogiva é de 180 quilos.

A Ucrânia é um dos 14 países que usam o sistema. A Rússia dispõe de conjuntos mais avançados, precisos e com raio de ação maior, no limite de 30 km a 35 km e navegação que inclui detector de sinais de espionagem digital e guiagem a laser. No entanto, não há informações a respeito do deslocamento desse sofisticado equipamento na linha da fronteira.

Ontem à noite, analistas franceses consideravam a tese de um atentado a bordo do avião como tecnicamente viável. A disposição dos destroços em um largo círculo, e os primeiros exames de placas metálicas retorcidas, recolhidas aleatoriamente no local da queda, dariam base a essa teoria.

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