Photo by Ahmad GHARABLI / AFP
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Míssil lançado da Síria atinge Israel, que revida com ataque aéreo

Ataque a reator nuclear israelense tem indícios de envolvimento do Irã, que jurou vingança contra o Estado judeu após explosão em uma de suas usinas no início do mês

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2021 | 03h07

JERUSALÉM — Um míssil lançado da Síria atingiu o sul de Israel nesta quinta-feira, 22, ativando as sirenes de ataque aéreo nas proximidades do reator nuclear de Dimona, no deserto de Negev. O incidente foi confirmado pelo exército israelense, que respondeu atacando o território do país vizinho

O ataque representa a interação mais violenta entre Israel e Síria em anos, e tem indícios de envolvimento iraniano. O Irã, que tem soldados e representantes na Síria, acusou Israel de uma série de ataques contra suas instalações nucleares, incluindo uma explosão ocorrida em 11 de abril na usina de Natanz, e jurou vingança. 

O exército israelense alega ter ativado um sistema de defesa contra mísseis, mas não confirmou se o projétil chegou a ser interceptado, embora tenha observado que não houve nenhum dano

Sirenes de ataque aéreo soaram em Abu Krinat, uma cidade a poucos quilômetros de Dimona, onde o reator nuclear israelense está localizado. As explosões ouvidas em Israel podem ter sido causadas pela ativação da defesa aérea.

As forças armadas israelenses inicialmente descreveram a arma disparada pela Síria como um míssil superfície-ar, que é usado principalmente contra aviões. 

Isso poderia sugerir que o míssil tinha como objetivo atingir aviões de guerra, mas errou seu alvo. Contudo, Dimona está localizada cerca de 300 quilômetros ao sul de Damasco, o que é uma distância muito longa para um míssil superfície-ar.

A agência de notícias estatal síria SANA informou que quatro soldados foram feridos durante o ataque israelense perto de Damasco. Mais detalhes não foram revelados. Já a defesa aérea da Síria diz ter interceptado “a maioria dos mísseis inimigos'', que teriam sido disparados das Colinas de Golã, anexadas por Israel.

Tensões entre Israel e Irã

Até agora, ninguém assumiu a responsabilidade pelo ataque com mísseis. No último sábado, porém, um jornal iraniano publicou um artigo de opinião sugerindo que a instalação israelense em Dimona poderia ser alvo de uma ofensiva depois do que ocorreu em Natanz. O texto mencionava o princípio de “olho por olho”.

O reator de Dimona é considerado a peça central de um programa não declarado de armas nucleares. Israel não confirma nem nega ter um arsenal nuclear.

Embora o jornal mencionado seja de pequena circulação, seu editor-chefe, Hossein Shariatmadari, foi nomeado pelo Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, além de já ter sido apontado como seu conselheiro anteriormente.

Agora, o incidente também ameaça complicar os esforços liderados pelos Estados Unidos para reviver o acordo nuclear com o Irã. Israel acusa o país islâmico de tentar desenvolver armas nucleares, e incentivou o então presidente Donald Trump a se retirar do acordo em 2018./AP

 

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