AFP PHOTO / ANP / Robin van Lonkhuijsen / Netherlands OUT
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Investigadores identificam unidade de onde partiu míssil russo que derrubou voo da Malaysia Airlines

Equipe apresentou evidências a Moscou de que a 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos teria fornecido o equipamento ao rebeldes pró-Rússia que lutavam no leste da Ucrânia, mas não obteve um posicionamento; investigação está na fase final

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 13h28

BUNNIK, HOLANDA - Uma equipe de investigadores australianos disse nesta quinta-feira, 24, que identificou a unidade militar russa que forneceu o míssil do tipo Buk usados por rebeldes para derrubar o voo MH-17 da Malaysia Airlines, em 2014. Este é indicativo mais forte já divulgado sobre o envolvimento de militares de Moscou com o ataque que resultou na queda da aeronave.

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Os investigadores afirmaram que suas descobertas foram apresentadas ao Kremlin, mas ainda não receberam respostas. A equipe encarregada pediu ajuda a testemunhas que possam falar sobre o possível envolvimento da 53ª Brigada de mísseis antiaéreos, localizada na cidade de Kursk, no oeste da Rússia.

Segundo o procurador Fred Westerbeke, a conclusão leva a outras questões, como o quão envolvida na queda do avião a brigada russa esteve. O governo russo sempre negou envolvimento na derrubada da aeronave da companhia malaia.

Westerbeke acrescentou que seu time ainda não pode apontar suspeitos, mas ressaltou que a investigação está em sua fase final. "Não é possível dizer [quais são os suspeitos] no momento, porque ainda há muito trabalho a fazer."

O Boeing 777 partiu de Amsterdã, com destino a Kuala Lumpur, na Malásia. Ele foi alvejado enquanto sobrevoava a região de Donbass, no leste da Ucrânia, no dia 17 de julho. Todos os 298 passageiros e tripulantes morreram.

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Em 2016, os promotores disseram que a aeronave foi abatida por um míssil Buk 9M38, disparado de um território controlado por rebeldes apoiados pela Rússia, e utilizando um lançador móvel russo. Nas informações apresentadas nesta quinta, a investigação apontou a unidade exata que supostamente estaria envolvida no caso, além de mais detalhes sobre o foguete e uma compilação de vídeos e fotos traçando a jornada do comboio militar, da Rússia ao território ucraniano em disputa.

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Os investigadores também exibiram partes do revestimento do motor e do sistema de exaustão de um míssil Buk 9M38, recuperado na região leste da Ucrânia, e fotos do número de série único do míssil. Segundo a equipe, há também fotos que evidenciam a jornada do comboio da Rússia até a Ucrânia e identificam o sistema de lançamento utilizado.

O número de série do míssil exibido deu à equipe uma dica de onde ele foi produzido, mas os investigadores disseram que não é possível afirmar com certeza de que este foi o míssil utilizado para derrubar o voo MH-17. A equipe pediu que testemunhas apresentassem mais informações sobre o armamento.

"Todas as descobertas desta investigação forense confirmam a conclusão anterior de que o voo MH-17 foi abatido pelo míssil de série 9M38", disse Jennifer Hust, da Polícia Federal Australiana.

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Em declaração por escrito, a ministra das Relações Exteriores  da Austrália, Julie Bishop, demonstrou preocupação com as conclusões da investigação. "Que uma arma sofisticada pertencente ao Exército russo tenha sido despachada e utilizada para abater uma aeronave civil deve ser de grave preocupação internacional. Estamos discutindo essas descobertas com nossos parceiros e considerando nossas opções."

Em última análise, quaisquer suspeitos identificados e acusados serão processados pelos tribunais da Holanda, local de origem do voo. Das 298 pessoas mortas, 196 eram holandesas, 42 eram malaias e 27 eram australianas - ao todo, cidadãos de 30 países estavam a bordo do avião.

O ministro holandês das Relações Exteriores, Stef Blok, recebeu as descobertas de maneira positiva. "Essa é uma peça importante do quebra-cabeça. Estou muito impressionado com as evidências que foram coletadas", afirmou. / AP

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