Missionários sul-coreanos pedem 'perdão' por causar problemas

Mantidos reféns pelo Taleban desde 19 de julho, ex-reféns devem chegar nesta sexta em Seul

Associated Press e Efe,

31 de agosto de 2007 | 09h52

Os sul-coreanos libertados na última quinta-feira depois de seis semanas seqüestrados no Afeganistão contam sobre o terror que passaram no cativeiro e pedem desculpas ao governo de Seul por terem causado problemas. Dezenove sul-coreanos libertados nos últimos dias pela milícia fundamentalista islâmica Taleban embarcaram em um vôo com destino a Seul nesta sexta-feira. Os reféns recém-libertados deixam o Afeganistão em um momento no qual o governo da Coréia do Sul rejeita alegações de que teria pago resgate ao Taleban para encerrar a crise. Os religiosos sul-coreanos libertados pareciam bem quando embarcaram em um avião fretado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no aeroporto de Cabul. Eles fariam uma conexão em Dubai para seguir rumo a Seul. "Enquanto estava preso, a única coisa que eu conseguia pensar era em conseguir ficar vivo", afirmou Suh Myung-hwa, durante uma entrevista a uma televisão sul-coreana. "Eu não conseguia sentir nenhuma dor na prisão, acho que por causa do pânico que senti todo o tempo. Mas agora estou mais calmo mas meu corpo dói bastante." Suh, de 29 anos, e Yoo Kyung-sik, de 55, estavam entre os missionários católicos detidos desde 19 de julho por militantes do Taleban. Os reféns foram libertados em pequenos grupos na última quarta e quinta depois de Seul negociar com os insurgentes. Um total de 23 missionários sul-coreanos foi seqüestrado em 19 de julho e dois deles foram executados depois de alguns dias, depois que o governo afegão se negou a atender as exigências do grupo rebelde para libertar presos taleban. Os dois sul-coreanos deram a entrevista à imprensa ainda do hotel onde estavam hospedados, em Cabul, no Afeganistão. Logo depois, os dezenove missionários embarcaram em um vôo com destino a Seul. O grupo partiu para o Afeganistão ignorando as recomendações do governo coreano para que não fossem. Desde então Seul está sob intensa pressão para levar o missionários de volta e tem enfrentado duras críticas sobre negociar com o Taleban. "Eu nem consigo dormir pelo fato de que causamos muitos problemas", afirmou Yoo. "Me sinto muito arrependido".  'Negociação' Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Song Min-soon, agradeceu a mediação da Rússia e de outros países na libertação dos sul-coreanos. Os reféns recém-libertados deixam o Afeganistão em um momento no qual o governo da Coréia do Sul rejeita alegações de que teria pago resgate ao Taleban para encerrar a crise. "Não houve pagamento de resgate", disse um porta-voz da missão diplomática coreana à agência de notícias russa Interfax. Segundo o anúncio oficial, a libertação foi fruto de um acordo alcançado entre representantes sul-coreanos e os taleban, no qual Seul se comprometeu a retirar este ano seus 200 militares do Afeganistão, como estava já previsto, e suspender as atividades dos missionários sul-coreanos no país. Ao se reunir com o secretário interino do Conselho de Segurança russo, Valentin Sobolev, Song "agradeceu à parte russa pelo apoio e ajuda oferecidos para libertar os seqüestrados", afirmou esse organismo adjunto à Presidência russa. "Os amigos são conhecidos na desgraça, e a Rússia agiu como um amigo", segundo as palavras do chefe da diplomacia sul-coreana. Song Min-soon repetiu essas declarações ao se reunir depois com o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, a que agradeceu "pela contribuição oferecida pela Rússia e por outros países para libertar os sul-coreanos seqüestrados no Afeganistão", segundo a agência Interfax. Nenhuma fonte oficial russa informou sobre a possível mediação de Moscou nessa crise dos reféns.

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