Mistério cerca dinheiro enviado por Kirchner ao exterior

Jornalista denuncia que US$ 530 milhões da Província de Santa Cruz não foram repatriados

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

Jorge Lanata, um dos mais famosos colunistas políticos da Argentina, denunciou ontem, em sua coluna do jornal Perfil, que o presidente Néstor Kirchner não repatriou os US$ 530 milhões pertencentes ao Tesouro da Província de Santa Cruz que enviou ao exterior em 1993. Kirchner alega que o dinheiro já voltou ao país. Mas, segundo Lanata, não há registro desse retorno. Além disso, o colunista - que por outras denúncias derrubou recentemente a ministra da Economia, Felisa Miceli - afirma que não existem pistas sobre os juros dos últimos 14 anos obtidos por esses fundos. A denúncia promete atrapalhar a campanha da candidata do governo à presidência da República, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, nas eleições de outubro. Segundo Lanata, no ano de 2001, entre o capital inicial e o rendimento, os fundos eram de mais de US$ 1 bilhão. Mas, em 2003 - misteriosamente -, os fundos voltaram a ser de US$ 500 milhões. O governo sustenta que a diferença entrou no Orçamento de Santa Cruz. Segundo fontes citadas por Lanata, as campanhas políticas de Kirchner teriam sido financiadas com esses fundos. O Tribunal de Contas de Santa Cruz divulgará um relatório daqui a duas semanas no qual deve indicar que os fundos supostamente repatriados continuam em bancos na Suíça. No início de 2003, durante campanha à presidência, Kirchner alegou que esses fundos no exterior permitiram que a província se salvasse do colapso financeiro de 2001 (quando foi decretado o "corralito", o confisco bancário aplicado pelo presidente Fernando De la Rúa). VICE DE CRISTINA O setor da União Cívica Radical (UCR) alinhado com Kirchner oficializou a candidatura do governador de Mendoza, Julio Cobos, para vice na chapa de Cristina Fernández de Kirchner à presidência.

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