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Mistério de Alcatraz está perto do fim

FBI reabre caso após receber carta assinada por John Anglin, que fugiu da prisão em 1962

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 05h00

Agentes do FBI confirmaram esta semana que um dos grandes mistérios policiais do século 20 pode estar perto do fim. A investigação sobre a fuga de três assaltantes de banco da prisão de Alcatraz, na Califórnia, em 1962, foi reaberta. Tal como um episódio da série Cold Case, os investigadores americanos se surpreenderam com uma carta escrita a mão, enviada em 2013 para o Departamento de Polícia de San Francisco, assinada por John Anglin.

“Meu nome é John Anglin. Escapei de Alcatraz em junho de 1962 com meu irmão Clarence e Frank Morris. Tenho 83 anos e estou muito mal de saúde. Tenho câncer”, diz o texto. Ele então tenta fechar um acordo: um ano de cadeia em troca de tratamento médico. “Se aceitarem, direi onde estou.”

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Agentes do FBI analisaram a caligrafia, impressões digitais e buscaram traços de DNA na carta, mas os resultados foram inconclusivos. A idade de 83 anos, no entanto, era consistente com a que teria Anglin em 2013. Diante da dúvida, resolveram reabrir o caso, que foi eternizado nas telas de cinema no suspense Alcatraz – Fuga Impossível, com Clint Eastwood no papel de Frank Morris – os irmãos Anglin foram vividos por Jack Thibeau (Clarence) e Fred Ward (John). 

Os três protagonistas eram ladrões condenados por assalto a banco, roubo de carro e tentativas de fuga de uma prisão na Flórida. Chegaram a Alcatraz, uma ilha no litoral da Califórnia, em 1960. Depois de meses planejando a fuga e escavando um túnel, eles escaparam no dia 11 de junho de 1962, deixando bonecos de papier-mâché nas camas para enganar os guardas. 

Imediatamente, a polícia iniciou uma caçada humana por terra, mar e ar. No dia 14, a Guarda Costeira encontrou um remo flutuando a 180 metros da praia de Angel Island. No dia 21, restos de capas de chuva foram retirados da mesma ilha. Na manhã seguinte, os policiais avistaram coletes salva-vidas, feitos do mesmo material, boiando a poucos metros de Alcatraz. Apesar de nunca terem encontrado os corpos, os agentes do FBI concluíram que os três não seriam capazes de nadar nas águas geladas do Oceano Pacífico e encerraram o caso.

Na carta enviada à polícia de San Francisco, o suposto larápio conta que todos os três conseguiram escapar. “Foi por pouco”, escreveu. Segundo ele, Morris teria morrido em 2008 e Clarence, em 2011. Anglin revela que viveu “muitos anos” na cidade de Seattle, que depois havia se mudado para a Dakota do Norte, até finalmente se instalar no sul da Califórnia. 

Durante anos, a família Anglin acreditou que os irmãos tivessem escapado. A mãe de John e Clarence costumava receber cartões de Natal assinados pelos filhos. A caligrafia era parecida, apesar de a data dos cartões não ter sido comprovada.

Em 2015, em um documentário exibido pelo History Channel, os irmãos aparecem mais velhos em fotos que teriam sido enviadas para a família. Nas imagens, de 1975, segundo os sobrinhos, John e Clarence estariam no Brasil. 

O FBI diz que a carta foi a peça do quebra-cabeças que fez a polícia reabrir o caso. Os investigadores, no entanto, acreditam que se John Anglin for mesmo o autor do texto, muito provavelmente ele está morto em razão da doença. / AP e REUTERS

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