Mistério de Emmanuel perto do fim

Homem que levou menino a orfanato admite que ele é filho de refém das Farc

Ruth Costas, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

Há uma nova evidência de que Emmanuel - o menino que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometiam libertar junto com duas outras reféns- não está em poder da guerrilha, como afirma o governo colombiano. Segundo fontes da inteligência colombiana citadas pelo jornal El Tiempo, de Bogotá, José Gómez, o homem que entregou um menino de características semelhantes para um orfanato numa cidade do interior da Colômbia, teria confessado aos investigadores que ele seria o "menino das Farc" e teria dito à promotoria colombiana que não era seu parente, como alegara antes. Gómez despertou suspeitas porque, após o anúncio das Farc de que libertaria os reféns, ele passou a buscar desesperadamente o paradeiro do menino.Além disso, o governo colombiano anunciou ontem que o resultado da comparação do DNA do menino com o do irmão e da mãe de Clara Rojas - assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt - deve sair até amanhã e acabar com o mistério. Emmanuel tem aproximadamente 3 anos e nasceu em cativeiro, filho de Clara e um guerrilheiro. Além de Clara, seqüestrada em 2002, e Emmanuel, também seria libertada a deputada Consuelo González de Perdomo, refém desde 2001. No entanto, a operação de resgate organizada pelo governo venezuelano fracassou na segunda-feira porque a guerrilha alegou que supostos movimentos militares de tropas colombianas na região inviabilizavam a ação. Segundo o presidente colombiano, Álvaro Uribe, os rebeldes não poderiam cumprir a promessa porque não estavam mais com Emmanuel. De acordo com a inteligência colombiana, o menino teria sido entregue por Gómez em julho de 2005 a um orfanato em San José de Guaviare, numa região onde as Farc atuam, e estaria agora em Bogotá. O menor deu entrada no orfanato com o nome de Juan David Gómez Tapiero. Ele estava doente, desnutrido e tem um defeito no braço - característica conhecida do filho de Clara graças a relatos de um ex-refém que esteve com ele no cativeiro. Cinco especialistas colombianos chegaram terça-feira a Caracas, onde estão os parentes dos reféns, para colher amostras de DNA de parentes de Clara.O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que estava negociando com a guerrilha, nega a versão de Uribe e diz que a intenção do presidente colombiano ao defender essa versão é "dinamitar" o acordo humanitário para a entrega dos reféns.Apesar do fracasso da operação de resgate, funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) dizem ainda crer na possibilidade de libertação dos reféns. O alto comissário de paz da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, disse ontem que os cativos podem ser libertados em território colombiano, depois de Uribe ter aberto um "corredor humanitário desmilitarizado" na área próxima de Villavicencio, no norte do país, para onde os reféns seriam levados por militares venezuelanos.

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