Aleksey Nikolskyi/RIA Novosti/Reuters
Aleksey Nikolskyi/RIA Novosti/Reuters

Misteriosas ‘cidades nucleares’ estão sob ameaça do coronavírus na Rússia

Chefe da estatal russa de energia atômica diz que há surto em locais que guardam segredos militares 

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 04h00

MOSCOU - O chefe da Rosatom, empresa atômica estatal da Rússia, expressou na terça-feira, 28, preocupação com a expansão do coronavírus para três “cidades nucleares”, incluindo uma que abriga um instituto de pesquisa secreto que ajudou a desenvolver a bomba atômica soviética.

As cidades estão intimamente ligadas à indústria atômica da Rússia, administrada pela Rosatom. Várias estão fechadas para estrangeiros e até os russos precisam de autorização especial para entrar, pois as instalações guardam segredos militares estratégicos. O diretor-geral da estatal, Alexei Likhachev, disse que entregas especiais de respiradores e equipamentos de proteção individual (EPI) estavam sendo feitas para a cidade fechada de Sarov, no leste de Moscou.

“Isso (pandemia) cria uma ameaça direta às nossas cidades nucleares. A situação em Sarov, em Elektrostal e em Desnogorsk é hoje particularmente alarmante”, disse Likhachev, em pronunciamento online aos trabalhadores da indústria nuclear da Rússia. “A situação em Sarov é exacerbada por um surto da doença no mosteiro de Diveyevo”, disse o dirigente da Rosatom, sem dar mais detalhes sobre o caso.

As declarações de Likhachev ocorreram no mesmo dia em que a Rússia relatou seu maior aumento diário de novos casos de coronavírus. Atualmente, o país ocupa o oitavo lugar no mundo entre os países com mais casos, com 93.558 notificações, embora o número de mortos – 867 – ainda esteja muito abaixo do que é registrado em outros locais. Moscou, que responde por mais da metade dos casos da Rússia, está sob rigoroso isolamento para conter a propagação do vírus.

Segredo. A cidade de Sarov é tão secreta que ela não aparecia nos mapas até a queda da União Soviética, em 1991. Hoje, ela continua como uma parte importante do complexo militar nuclear da Rússia, segundo especialistas em defesa. 

Em Sarov, funciona atualmente um instituto de pesquisa que ganhou destaque no ano passado, quando cinco de seus cientistas morreram em um misterioso acidente em um local de testes militares.

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A Rosatom informou que o incidente ocorreu durante um teste de motor de foguete em uma plataforma marítima. Alguns especialistas americanos disseram, no entanto, que o problema ocorre durante um teste malsucedido de um novo míssil, que seria um projeto acompanhado de perto pelo presidente, Vladimir Putin.

Na semana passada, a Rosatom informou que sete pessoas no Instituto de Pesquisa Científica da Rússia, em Sarov, foram diagnosticadas com coronavírus, elevando para 23 o número total de casos na cidade de cerca de 95 mil habitantes. O surto em Sarov começou quando um casal de aposentados retornou à cidade vindo de uma viagem de férias a um resort russo. / REUTERS 

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