Mitos e versões sobre os atentados nos EUA

As lendas e mitos surgidos após os atentados terroristas contra os Estados Unidos circulam com mais força nos últimos dias: as crianças árabes o sabiam, o louco que dançou nu sobre as ruínas, a falsa alegria dos palestinos exibida pela CNN.Em uma escola de Nova Jersey, algumas crianças árabes sabiam, um dia antes do ataque, que algo aconteceria com as torres gêmeas do World Trade Center, segundo uma história que circulou recentemente em todo o mundo.Outra versão dizia que as imagens da CNN nas quais palestinos comemoravam foram gravadas antes dos ataques de 11 de setembro e teriam sido transmitidas como posteriores. Uma falsidade, pois a rede de tevê norte-americana, com sede em Atlanta, confirmou que a filmagem foi feita após os ataques contra os Estados Unidos.Outras das falsas notícias escutadas por aí e que ganhavam novos significados com a passagem das horas diziam respeito a uma pessoa presa no 100º andar de um dos prédios que salvou-se "cavalgando" os escombros e a um louco que fugiu do hospício e dançou nu sobre as ruínas do World Trade Center."As novas lendas urbanas nascidas com a tragédia das torres gêmeas são alimentadas, principalmente, pelos medos ou pelas esperanças populares", analisa o psicólogo John Darley.A história de que cinco bombeiros teriam sido encontrados com vida sob os escombros difundiu-se com enorme rapidez pelos meios de comunicação. Mas sua origem logo foi detectada: um porta-voz da polícia incluiu uma notícia equivocada em um relatório.Porém, na maior parte dos casos, a fonte dessas lendas é misteriosa, como uma informação segundo a qual não se deveria beber água porque os terroristas haviam envenenado as centrais hídricas.Outra das falsas notícias que ganharam amplo crédito em Nova York foi a de que dezenas de cadáveres teriam sido encontrados em um vagão do metrô.Ou a versão que correu o mundo segundo a qual o vôo 93 da United Airlines, que caiu na Pensilvânia, teria sido abatido por um caça da Força Aérea norte-americana, apesar dos reiterados desmentidos por parte do Pentágono.Algumas lendas adqüiriram tons místico-apocalípticos, como a suposta previsão da tragédia por Nostradamus ("A terceira guerra mundial eclodirá quando a grande cidade estiver em chamas." Ou "os dois irmãos serão separados pelo caos".).Mesmo assim, alguns garantem ser possível ver o rosto do demônio na fumaça das torres gêmeas em uma fotografia na qual a fumaça do incêndio parece formar uma cara diabólica.A imaginação também deu margens à numerologia, desatada pela onipresença do número 11.A data dos ataques (9/11 para os norte-americanos) é idêntica ao 911, o número do serviço de emergência do país. "New York City", "Afeganistão" e "The Pentagon" têm 11 letras cada e as torres, uma ao lado da outra, obviamente recordam o número 11.

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